Fui dos poucos que cedo deixei de acreditar no projecto do agora demissionário Presidente da Câmara de Portalegre. E não me limitei a dizê-lo, como é costume dos "Lagóias", às escondidas pedindo segredo, para logo o divulgarem em tertúlias mais ou menos "conspiradoras". Fi-lo, através da Comunicação Social Local, numa tentativa de ajudar a ver o que estava à vista de todos e que, cegos que queremos ser, não víamos o evidente: que as promessas seriam, em grande parte, irrealizáveis.
Em Dezembro de 2003, fiz uma entrevista ao agora demissionário Presidente da Câmara de Portalegre, que publiquei no Distrito de Portalegre. É uma extensa entrevista, temática, que irei reproduzir a partir de hoje. Deste modo, quero trazer agora e aqui, para análise dos leitores, o que foi dito na altura.
1º TEMA
DESLOCALIZAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS
“Neste momento há perto de sessenta empresas pendentes de se instalarem em Portalegre”
Em que ponto está a deslocalização das infra-estruturas existentes na cidade tais como a Robinson, a Adega Corporativa, a Serraleite, a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, as Oficinas da Câmara…
E a própria Câmara. Estamos a falar, em concreto, dum movimento ambicioso. Nem sequer estamos a falar da pequena oficina, da pequena organização que está no interior da cidade e que, do ponto de vista ambiental e a todos os níveis, tem vantagens em ser deslocada. Todas as entidades citadas estão, nesta altura, a ser intervencionadas. O que é que está em causa? A primeira condição era a existência de terrenos, na zona industrial, para dar acolhimento a estas entidades.
Não existiam?Não. Mas agora já existem, pois foram adquiridos. O processo está numa fase adiantada do plano de pormenor. Todas as entidades já sabem, neste momento, o sítio onde se vão instalar e já estão a desenvolver procedimentos ao nível burocrático. Cremos mesmo, que outras entidades tenham ali o seu espaço de acolhimento. Estamos mesmo empenhados em acabar com alguma especulação, que existia à volta dos terrenos, em que entidades terceiras tiravam partido de negócios, em grande parte porque a oferta era de tal forma escassa, que prejudicava quem ali se queria instalar. Neste momento, a oferta vai aumentar drasticamente. O plano de pormenor vai atingir uma ordem de grandeza dos duzentos e muitos hectares, contra os cinquenta e qualquer coisa que existiam. Não estão todos comprados. Mas está tudo planificado e projectado, para poder começar a ser encetado este movimento. O que estamos a tentar é que tudo isto aconteça em simultâneo. Enquanto estamos ainda a cuidar do plano de pormenor, que vai gerir todo o espaço de acolhimento na zona industrial, vamos dando a possibilidade às pessoas, às empresas e às entidades, para irem desenvolvendo os seus procedimentos.
Há alguma novidade quanto a projectos de novas empresas, para se instalarem em Portalegre?
Neste momento há perto de sessenta empresas pendentes de se instalarem em Portalegre. Umas maiores, outras mais pequenas. Não temos nenhuma multinacional com quinhentos trabalhadores. Mas também penso que, se tivéssemos alguma empresa com quinhentos trabalhadores, amanhã não tínhamos capacidade de resposta para ela. Mas isso é outra questão. Estou em crer que, de um momento para o outro, vão começar estas coisas todas a alterarem-se logo que começar a ser construído o prolongamento da Av. Francisco Fino e se começar a visualizar aquilo que é a nova filosofia da zona industrial, com uma transferência agregada de serviços desde as instalações da CERCI, com infantários, centro de dia, lares e eventualmente alguns investimentos na área da saúde, posto de abastecimento de combustível, estando previsto também um motel de estrada.
No referente às novas instalações da Câmara Municipal de Portalegre, em que ponto estão?
Gostaria de acrescentar que, quando for publicada esta entrevista, já terá ido à reunião de Câmara o projecto do novo edifício da Câmara Municipal. Na semana passada, já foi aprovado o estudo prévio do projecto das novas oficinas. São coisas que levam mais tempo, do que aquilo que gostaria. Mas estamos a atingir as condições necessárias e suficientes para passar do papel à obra. O que constato é que a parte burocrática é mais morosa do que a própria obra. São as regras que não se conseguem dominar.




