quarta-feira, 15 de junho de 2011

ENTREVISTA DE MATA CÁCERES, EM DEZEMBRO DE 2003

Fui dos poucos que cedo deixei de acreditar no projecto do agora demissionário Presidente da Câmara de Portalegre. E não me limitei a dizê-lo, como é costume dos "Lagóias", às escondidas pedindo segredo, para logo o divulgarem em tertúlias mais ou menos "conspiradoras". Fi-lo, através da Comunicação Social Local, numa tentativa de ajudar a ver o que estava à vista de todos e que, cegos que queremos ser, não víamos o evidente: que as promessas seriam, em grande parte, irrealizáveis.
Em Dezembro de 2003, fiz uma entrevista ao agora demissionário Presidente da Câmara de Portalegre, que publiquei no Distrito de Portalegre. É uma extensa entrevista, temática, que irei reproduzir a partir de hoje. Deste modo, quero trazer agora e aqui, para análise dos leitores, o que foi dito na altura.
1º TEMA

DESLOCALIZAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS
“Neste momento há perto de sessenta empresas pendentes de se instalarem em Portalegre”

Em que ponto está a deslocalização das infra-estruturas existentes na cidade tais como a Robinson, a Adega Corporativa, a Serraleite, a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, as Oficinas da Câmara…
E a própria Câmara. Estamos a falar, em concreto, dum movimento ambicioso. Nem sequer estamos a falar da pequena oficina, da pequena organização que está no interior da cidade e que, do ponto de vista ambiental e a todos os níveis, tem vantagens em ser deslocada. Todas as entidades citadas estão, nesta altura, a ser intervencionadas. O que é que está em causa? A primeira condição era a existência de terrenos, na zona industrial, para dar acolhimento a estas entidades.
Não existiam?
Não. Mas agora já existem, pois foram adquiridos. O processo está numa fase adiantada do plano de pormenor. Todas as entidades já sabem, neste momento, o sítio onde se vão instalar e já estão a desenvolver procedimentos ao nível burocrático. Cremos mesmo, que outras entidades tenham ali o seu espaço de acolhimento. Estamos mesmo empenhados em acabar com alguma especulação, que existia à volta dos terrenos, em que entidades terceiras tiravam partido de negócios, em grande parte porque a oferta era de tal forma escassa, que prejudicava quem ali se queria instalar. Neste momento, a oferta vai aumentar drasticamente. O plano de pormenor vai atingir uma ordem de grandeza dos duzentos e muitos hectares, contra os cinquenta e qualquer coisa que existiam. Não estão todos comprados. Mas está tudo planificado e projectado, para poder começar a ser encetado este movimento. O que estamos a tentar é que tudo isto aconteça em simultâneo. Enquanto estamos ainda a cuidar do plano de pormenor, que vai gerir todo o espaço de acolhimento na zona industrial, vamos dando a possibilidade às pessoas, às empresas e às entidades, para irem desenvolvendo os seus procedimentos.
Há alguma novidade quanto a projectos de novas empresas, para se instalarem em Portalegre?
Neste momento há perto de sessenta empresas pendentes de se instalarem em Portalegre. Umas maiores, outras mais pequenas. Não temos nenhuma multinacional com quinhentos trabalhadores. Mas também penso que, se tivéssemos alguma empresa com quinhentos trabalhadores, amanhã não tínhamos capacidade de resposta para ela. Mas isso é outra questão. Estou em crer que, de um momento para o outro, vão começar estas coisas todas a alterarem-se logo que começar a ser construído o prolongamento da Av. Francisco Fino e se começar a visualizar aquilo que é a nova filosofia da zona industrial, com uma transferência agregada de serviços desde as instalações da CERCI, com infantários, centro de dia, lares e eventualmente alguns investimentos na área da saúde, posto de abastecimento de combustível, estando previsto também um motel de estrada.
No referente às novas instalações da Câmara Municipal de Portalegre, em que ponto estão?
Gostaria de acrescentar que, quando for publicada esta entrevista, já terá ido à reunião de Câmara o projecto do novo edifício da Câmara Municipal. Na semana passada, já foi aprovado o estudo prévio do projecto das novas oficinas. São coisas que levam mais tempo, do que aquilo que gostaria. Mas estamos a atingir as condições necessárias e suficientes para passar do papel à obra. O que constato é que a parte burocrática é mais morosa do que a própria obra. São as regras que não se conseguem dominar.         


segunda-feira, 13 de junho de 2011

MATA CÁCERES DEMITIU-SE

FINALMENTE, O VENDEDOR DE ILUSÕES, VAI-SE

(Quem vier atrás, que feche a porta)

Para quem me acompanhou na Comunicação Social, desde 2001, poderá confirmar agora que tudo o que escrevi não eram "atoardas", nem tão pouco falsas questões. Eram apenas, e mais nada, leituras antecipadas daquilo que estava à vista de todos e que poucos tinham a ousadia de comentar, publicamente. E isso custou-me caro, com a constante degradação da minha imagem, única e exclusivamente por gostar da minha cidade. Em contra-partida nem uma palavra de solidariedade, até mesmo daqueles que, em termos ideológicos, estavam perto de mim.
Por isso, quero deixar aqui e agora um pequeno texto, dos muitos que escrevi e publiquei, onde claramente denunciava o caminho que Portalegre estava a levar. Foi em Novembro de 2004:

Erguei-vos “lagóias”

Numa manhã destas resolvi dar uma volta, a pé, pela cidade. Não dei o tempo por mal empregue. Há coisas que, por vezes tão perto delas, não observamos com o devido tempo e cuidado. Refiro-me, por exemplo, ao parque habitacional da cidade. É visível a sua degradação. Casas velhas, a ameaçarem ruína, são em número tão elevado que merecem uma atenção especial e necessitam de uma intervenção imediata. Naturalmente que não é fácil. Mas é um desafio que importa encetar, para que não venhamos a ter ocorrências desagradáveis, como já aconteceu.
Enquanto centro económico relevante do Distrito e base de reflexão útil para o nosso futuro colectivo, Portalegre teve um período estimulante no qual parecia querer ter uma palavra no desenvolvimento do interior, durante a década de sessenta. Mas diversos erros cometidos tornaram todo esse esforço incapaz de sustentação, o que fizeram da Cidade um lugar onde os cidadãos mais novos não se realizam. As manifestações recentes, dessa queda inapelável, são algumas e tristes:
- a estratégia de então cedeu à preguiça e à incompetência;
- a cooperação e a ambição derivaram para negociatas e rivalidades paroquiais;
- a altivez burguesa passou a parolice provinciana;
- a fixação dos melhores e de maior potencial foi vencida pela sua fuga.
O desnorte foi e vai assim acontecendo um pouco por toda a parte, dos eleitos à administração, dos intelectuais aos partidos, das elites aos jovens.
Na verdade, a degradação não é só do parque habitacional. A degradação do colectivo é muito mais preocupante.
Por isso, o meu apelo às figuras de Portalegre que prosseguem nos seus pequenos territórios a sua actividade económica, social, investigadora e artística, aos “lagóias” que, espalhados pelo país e pelo mundo, souberam granjear reconhecimento sem deixarem de manter um olhar atento sobre as suas origens, aos anónimos mas clarividentes cidadãos de Portalegre, quer sejam “lagóias ou estrangeiros”, para encontrarmos forças para um grito de revolta individual e um esforço de renovação colectiva. É que – perdoem-me as excepções – não podem ser aqueles senhores dos aparelhos partidários, carreiristas políticos, representantes associativos à procura de protagonismo e agentes económicos a tratar dos seus negócios particulares os que moldam a nossa imagem e falam em nosso nome. É tempo de em Portalegre:
-demolir os prédios velhos e dar lugar a novas edificações;
-do respeito e da liberdade derrotarem a cobardia e o medo;
-de criar uma sociedade em que os poderosos não enriqueçam à custa dos desfavorecidos.   
(Manuel Alberto Morujo)

NOTA: A minha contribuição posterior, como cidadão, foi a da publicação dum Manifesto, a tentativa da criação dum Movimento de Cidadãos do Norte Alentejano e a realização do 1º Forum do Norte Alentejano, no dia 8 de Julho de 2006, que o Autarca, agora demissionário, tudo fez para que ele não se concretizasse. Aos que se lembram disto, confirmarão agora de que lado estava a razão. Aos que nunca souberam da existência destas minhas iniciativas, terão, oportunamente, a possibilidade de as conhecer.

       

domingo, 12 de junho de 2011

SERÁ PASSOS COELHO A PRÓXIMA VÍTIMA?

2 de Junho de 2011
Se Passos Coelho não se acautelar, será a próxima vítima. O homem da Sonae consegue estar sempre no sítio certo, à hora certa. Depois de "usados e sugados" veja  como trata  as suas "presas": com desprezo e até com insultos.

8 de Setembro de 2005 
O Primeiro-Ministro, José Sócrates e o Presidente da Sonae, Belmiro de Azevedo accionaram juntos o detonador da implosão dos edifícios, em Tróia. 
6 de Fevereiro de 2006
A OPA da Sonae sobre a PT resultou num insucesso. Início do afastamento de Belmiro de Azevedo em relação a José Sócrates.
28 de Janeiro de 2010
O patrão da Sonae lança farpas à direita e à esquerda. Belmiro de Azevedo acusa Cavaco Silva de ser "um ditador", aconselha Manuel Alegre a "ter juízo", deixando também várias críticas a José Sócrates e a Manuela Ferreira Leite.
6 de Junho de 2011
Belmiro de Azevedo afirmou, entre outras coisas, que "José Sócrates vai para o livro do Guinness".

12 de Junho de 2011
(Só para crianças. Os adultos não devem ouvir)




sábado, 11 de junho de 2011

PARA ONDE FOI O DINHEIRO DESTINADO AO INTERIOR?

Não procures esconder nada. O tempo vê, escuta e revela tudo.
Sófocles (495-405 a.C.)


Afinal não foi só enquanto o Professor Cavaco Silva foi Primeiro-Ministro que as assimetrias entre o interior e o litoral se acentuaram, contribuindo para a desertificação que hoje se constata no interior do território Português. Os seus sucessores, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates também deram a sua contribuição, a acreditar nas declarações da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas, conforme se pode ler no seguinte link:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/pme-interior-fundos-comunitarios-agencia-financeira-cavaco/1259744-1730.html  

sexta-feira, 10 de junho de 2011

QUE HIPOCRISIA, QUE DESPUDOR.

Ouvi, com a maior das atenções, o discurso hoje proferido pelo Presidente da República. O que foi dito, não podia deixar de ser tão contraditório entre o que foi a prática e o que hoje são palavras de circunstância.
Afirmou, a determinado momento, o mais  "Alto Magistrado da Nação":
«Está na hora de mudar de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do País, incentivando e apoiando o espírito indomável daqueles que aqui vivem e trabalham» fazendo notar mais adiante que  foi o «menosprezo dos poderes públicos pela realidade do interior», que obrigou gerações inteiras a deixar as suas terras, tornando Portugal «um país desequilibrado, um território a duas velocidades», com um interior com grandes potencialidades na agricultura, mas sem capital humano.
Nem a propósito: ainda não passou um mês que escrevi, neste espaço - e fazendo referência à recepção que o Presidente da República fez a trinta jovens Empresários Agrícolas - o seguinte:
É bom recordar agora que, a individualidade que hoje "defende a prioridade para a produção agrícola", foi Primeiro-Ministro entre 1986 e 1995, período durante o qual a produção agrícola Portuguesa sofreu um decréscimo anual de 3,1%, em termos reais (as variáveis são avaliadas com base nos preços de base, que resultam da soma dos preços no produtor, com os subsídios líquidos aos produtos e os subsídios ao produtor).
O resultado foi que, desde a adesão à U.E., a produção agrícola interna cresceu menos do que a oferta alimentar, estando assim na origem de um défice alimentar crescente ou, por outras palavras, de uma redução do grau de auto-suficiência.
(Manuel Alberto Morujo)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A PÁTRIA ESTÁ DOENTE

(Texto escrito em Fevereiro de 2004)
Portugal quis fazer parte da elite mundial e, para isso, ade­riu à União Europeia. Estáva­mos em mil novecentos e oiten­ta e seis. Recebemos ajudas e criou-se uma dinâmica como se tratasse de um País em vias de desenvolvimento. Aqui e ali, pareceu que a nossa mentalidade iria mudar, que deixaríamos de ser o País das baldas, do desleixo, das irresponsabilidades e passaría­mos a ser um Povo mais pro­dutivo, lutadores incansáveis criando riqueza, para ser dis­tribuída, por todos, com justiça social. Mas..."a montanha pariu um rato". A realidade aí está, pon­do os Portugueses descrentes, depressivos, sem auto-estima, sem referências e valores que possam alterar este estado de coisas.
A verdade é que, passados todos estes anos, as ajudas vão terminar, deixando-nos prati­camente entregues a nós pró­prios. Em contrapartida outros Povos, mais atractivos e com valores bem mais homogéneos e consistentes do que nós, irão partilhar o nosso território de concorrência e receber ajudas idênticas às que nós já recebemos. Torna-se assim importante consciencializarmo-nos de que, a abertura da União Europeia a Leste, poderá vir a constituir o nosso maior problema, desde o vinte e cinco de Abril.
Portu­gal, durante este período em que recebeu apoios, não interiorizou que a produtividade era factor essencial para que pudésse­mos ser mais solidários, mais empreendedores, mais traba­lhadores, mais eficientes. Em cada sector, em cada actividade, em cada empresa deveria ter estado presente, que a "ga­linha dos ovos de ouro" seria efémera. E, não tendo sido assim, terá faltado uma cultura de responsabilida­de consistente, que impediu de interiorizar que a produtivida­de é a primeira forma de solidariedade. Entretanto, nem todos os Portugueses entenderam que isto era óbvio, embora tenha havido muitos que estiveram disponíveis e motivados para aquele desafio, assim como houve outros entendendo que o desafio era excessivo ou desne­cessário. Em consequência disso,  vive-se hoje em Portugal uma verdadeira tensão, uma tensão essencial­mente social, que atravessa to­das as classes e condições. So­mos hoje o Povo menos pro­dutivo da União Europeia. E, por exemplo, são Portugueses vinte e cinco por cento dos trabalhadores do Luxemburgo, o Povo mais produtivo da Eu­ropa. 
Mas o que é que está mal entre nós, pois não alteramos os nos­sos maus hábitos? Creio, e cer­tamente muitos concordarão comigo que, uma das coisas que está mal en­tre nós, é o sistema político e, consequentemente, os que en­tendem dever regular a sua ac­ção segundo as necessidades do momento, para chegarem mais facilmente a um resultado tem­porizador, aguardando as cir­cunstâncias oportunas. Chamo a isto OPORTUNISMO.
Pobre Povo, cuja PÁTRIA é a Língua Portuguesa.


(Manuel Alberto Morujo)

terça-feira, 7 de junho de 2011

COMO É FÁCIL DESTRUIR QUEM SE OPÕE

Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais. As suas recentes declarações, como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza, assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.

Não vale a pena pronunciar-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado, pois os média já o lincharam. De qualquer maneira, este caso criminal parece demasiado bem orquestrado para ser verdadeiro, as incongruências são muitas e é difícil acreditar nesta história.
O que interessa aqui salientar é: quem beneficia com a saída de cena de Strauss Kahn?
Convém lembrar que, quando em 2007 ele foi designado para ser o patrão do FMI, foi eleito pelo grupo do clube Bilderberg, do qual faz parte. Na altura, ele não representava qualquer "perigo" para as elites económicas e financeiras mundiais com as quais partilhava as mesmas ideias.
Em 2008, surge a crise financeira mundial e com ela, passados alguns meses, as vozes criticas quanto à culpa da banca mundial e ao papel permissivo e até colaborante do governo norte-americano. Pouco a pouco, o director do FMI começou a demarcar-se da política seguida pelos seus antecessores e do domínio que os Estados Unidos sempre tivera no seio da organização.
Ainda no início deste mês, passou despercebido nos media o discurso de Dominique Strauss Kahn. Ele estava agora bem longe do que sempre foi a orientação do FMI. Progressivamente o FMI estava a abandonar parte das suas grandes linhas de orientação: o controlo dos capitais e a flexibilização do emprego. A liberalização das finanças, dos capitais e dos mercados era cada vez mais, aos olhos de Strauss Kahn, a responsável pela proliferação da crise "made in America".
O patrão do FMI mostrava agora nos seus discursos uma via mais "suave" de "ajuda" financeira aos países que dela necessitavam, permitia um desemprego menor e um consumo sustentado, com o qual não seria necessário recorrer às privatizações desenfreadas que só atrasavam a retoma económica. Claro que os banqueiros mundiais não viam com bons olhos esta mudança, achavam que está tudo bem como sempre tinha estado: que a política seguida até então pelo FMI tinha tido os resultados esperados, isto é, os lucros dos grandes grupos financeiros estavam garantidos.
Esta reviravolta era bem-vinda para economistas progressistas como Joseph Stiglitz que num recente discurso no Brooklings Institution, poderá ter dado a sentença de morte ao elogiar o trabalho do seu amigo Dominique Strauss Kahn. Nessa reunião, Strauss Kahn concluiu dizendo: "Afinal, o emprego e a justiça são as bases da estabilidade e da prosperidade económica, de uma política de estabilidade e da paz. Isto são as bases do mandato do FMI. Esta é a base do nosso programa".
Era impensável o poder financeiro mundial aceitar um tal discurso, o FMI não podia transformar-se numa organização distribuidora de riqueza. Dominique Strauss Kahn tinha-se tornado num problema.
Recentemente, Strauss Kahn tinha declarado: "Ainda só fizemos metade do caminho. Temos que reforçar o controlo dos mercados pelos Estados. As políticas globais devem produzir uma melhor distribuição dos rendimentos, os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários Progressivamente, deve existir um regresso dos mercados ao estado".
A semana passada, Dominique Strauss Kahn, na George Washington University, foi mais longe nas suas declarações: "A mundialização conseguiu muitos resultados...mas ela também um lado sombrio: o fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos que criar uma nova forma de mundialização para impedir que a "mão invisível" dos mercados se torne num "punho invisível".
Dominique Strauss Kahn assinou aqui a sua sentença de morte. Pisou a linha vermelha. Por isso, foi armadilhado e esmagado.
(21 de Maio de 2011)
(Texto recebido na minha caixa de  correio, em 07/06/11)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

GUIZOS, GATOS E RATOS

“Não procures esconder nada. O tempo vê, escuta e revela tudo.”
Sófocles (495-405 a.C.)

Revelar o que se pensa, ou o que se sente, é hoje em dia, só por si, um acto de coragem. 
A sociedade actual, onde estamos inseridos, sofre uma mutação constante e veloz, esquecendo princípios e referências com a mesma facilidade com que se abre uma torneira para verter água. Passou-se a ser acusador sem qualquer fundamento, ou conhecimento de causa, e sentimo-nos vítimas se tocarem no nosso ego. Coabitamos numa sociedade cada vez mais hipócrita, desumanizada e agressiva.
Será por isso que estamos no limiar da vergonha e da seriedade, da afectividade e da fraternidade, do hábito e da vontade do que deve ser um ideal e o meio de o realizar?
Será também por tudo isto que o Povo Lusitano está com a auto-estima débil, com entusiasmo pouco visível, profundamente abatido, apático e enfraquecido?
Provavelmente estará e, convenhamos, com alguma razão. A imagem negativa, que cada vez mais vamos dando de nós próprios, é própria dum país subdesenvolvido em que os escândalos são uma praga, a impunidade uma constante e a justiça peca por tardia. Será que face a tudo isto as instituições, as organizações e até a própria democracia estarão em crise?
A notícia, que me levou a meditar desta maneira, tem a ver com o facto de não terem sido cobrados 11.300 milhões de euros(!) de I.R.C. a empresas que faliram (!), não apresentaram lucros (!) ou não declararam o imposto (!). Para dar uma ideia, aquela importância corresponde a cerca de dois orçamentos anuais do Ministério da Saúde.
A propósito, permitam-me caros leitores contar uma fábula, lida a tempos idos:
“Há muito tempo que alguns ratos, oriundos da cidade e do campo, procuravam um lugar condigno para viver. Depois de várias diligências, conseguiram ocupar um velho palacete. O sentirem-se donos e senhores desse amplo espaço dava-lhes uma felicidade e segurança, até então nunca experimentadas. Aí passavam os dias entregues às mais variadas tarefas.
Certo dia, esqueceram-se de tapar a gateira. Foi então que, furtivamente, um gato se introduziu no palacete e, de imediato, começou a fazer das suas. Quanto atacava era mais rápido e mortífero que um relâmpago.
Alarmado, com o que se estava a passar, o Presidente da rataria convocou uma Assembleia-Geral. Descrita a situação, foi entendido que a Assembleia não terminaria sem ver resolvido o problema. As ideias sucederam-se. Já perto do final, eis que um rato da cidade, conhecido pelo seu saber, pede a palavra:
- Tudo o que acaba de ser dito não passa de banalidades. A única solução é pendurar um guizo no pescoço do gato. Assim, cada vez que ele se mexer, o guizo toca e avisa-nos do perigo, dando-nos tempo a fugir. Após um silêncio profundo, os ratos gritaram em uníssono: muito bem, apoiado, excelente ideia.
 Entretanto, a um canto da sala encontrava-se um ratito do campo a quem o analfabetismo e timidez inibiam de se expressar. Lá se encheu de coragem e pediu a palavra. O rato, que presidia à sessão, mandou-o sentar, argumentando que não havia mais nada a tratar. Mas o ratito tanto insistiu que lhe foi permitida a palavra:
- Cá a meu ver o nosso colega da cidade teve uma boa ideia e penso mesmo que irá resultar. Mas gostaria de perguntar, quem é que vai pôr o guizo ao gato?
Cabisbaixos, e a olharem-se de soslaio uns para os outros, todos os ratos se afastaram para os seus aposentos. O facto é que o gato continuou sem guizo, acabando por dizimar toda aquela comunidade de ratos.”
Moral da história: invista-se nos guizos, prendam-se os gatos e salvem-se os ratos, que é como quem diz apoie-se a fiscalização, penalizem-se os infractores e salvem os Portugueses.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

E EM CINCO FORAM QUATRO

E contra factos não há argumentos, pois os títulos "falam por si":  Parabéns aos meus amigos do F. C. Porto.
Quanto ao meu S. L. BENFICA espero que LFV, RC e principalmente J.J prometam e falem menos, assim como possam apresentar melhores resultados, na próxima época.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CAVACO DEFENDE PRIORIDADE PARA A PRODUÇÃO AGRÍCOLA

«Nunca Portugal precisou tanto da agricultura e do mundo rural para, como hoje, conseguir vencer a crise económica e social», afirmou hoje o Presidente da República perante 30 jovens agricultores que convidou para uma reunião e almoço no Palácio de Belém.

É bom recordar agora que, a individualidade que hoje "defende a prioridade para a produção agrícola", foi Primeiro-Ministro entre 1986 e 1995, período durante o qual a produção agrícola portuguesa sofreu um decréscimo anual de 3,1%, em termos reais (as variáveis são avaliadas com base nos preços de base, que resultam da soma dos preços no produtor com os subsídios líquidos aos produtos e os subsídios ao produtor).
O resultado foi que, desde a adesão à U.E., a produção agrícola interna cresceu menos do que a oferta alimentar, estando assim na origem de um défice alimentar crescente ou, por outras palavras, de uma redução do grau de auto-suficiência.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

UMA CRÓNICA DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Vale a pena, em minha modesta opinião, ouvir esta crónica pelo próprio António Lobo Antunes, a qual foi escrita após ter saído duma unidade hospitalar, onde esteve internado.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"PINTELHOS" OU PENTELHOS, SR. CATROGA?

Conclusão: Os culpados da crise são os Jornalistas. Esta é a opinião do futuro ex-Ministro das Finanças, caso o PSD venha a governar Portugal. 
Efectivamente não são os Economistas os culpados da crise. Quem assim pensa está errado. Mas eles têm andado e andam por aí. Vejamos: 
Na Presidência da República, no Governo, nos Bancos, nas grandes, pequenas e médias Empresas - quer Públicas, quer Privadas - nas Universidades, etc. 
Contudo, os Jornalistas em vez de andarem a discutir quais são as medidas no sistema de Justiça, como é que se vai reforçar o poder dos Directores na Escola e o ensino Técnico-Profissional, assim como as grandes questões que podem mudar Portugal, esses "malandros" dos Jornalistas andam a discutir "pintelhos", segundo Eduardo Catroga.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

DIÁLOGO ENTRE JESUS E O PAI

Estava-se a pouco mais de duas horas do início do jogo Braga-Benfica. Como é hábito, antes dos jogos, Jesus dirige-se ao Pai:
Jesus: Pai, estou à rasca. Os meus jogadores estão de rastos e só Tu me poderás valer pois não consigo motivá-los.
Pai: Não sei se te posso ajudar. 
Jesus: Mas, Pai, se não me deres uma mãozinha, não consigo chegar a Dublin.
Pai: Já decidi, não te vou ajudar, pois vejo que os teus jogadores estão de rastos.
Jesus: E porquê, porque me abandonas nesta hora difícil?
Pai: Porque, se fores a Dublin, vais ser humilhado e eu não quero isso. É melhor ficares por aqui, pois a vergonha não será tão grande.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

UM BOM ACORDO

FANTÁSTICO. O GOVERNO DO MEU PAÍS CONSEGUIU UM "BOM ACORDO" COM A TROIKA.
Que importa o que dizem os incrédulos, os derrotistas, os Velhos do Restelo. Nada melhor poderia acontecer a Portugal, à maioria dos Portugueses, do que o acordo hoje estabelecido com o FMI, a UE e BCE. UM BOM ACORDO.
Estão de parabéns, os quatro Cavaleiros do Apocalipse:
Ao que empunhava um arco e montava um cavalo branco, foi-lhe dada uma coroa e saiu vencendo e para vencer;
Ao que montava um cavalo vermelho, erguendo uma grande espada, foi-lhe dado o poder para tirar a Paz da Terra, isto é, para fazer a Guerra;
Ao que montava um cavalo preto e tinha uma balança na mão, ouvia-se dizer "uma medida de trigo e três de cevada por um dinheiro e não danifiquem o azeite e o vinho", isto é, a comida vai ser escassa, mas luxos como o azeite e o vinho estarão disponíveis;
Finalmente, ao quarto cavaleiro montado num cavalo esverdeado, foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da Terra, para a fazer perecer pela fome, pelas trevas e pelas feras.
Mas, antes que chegue a Tribulação, vamos festejar, vamos jantar:  
EMENTA
Entrada:
Canapés de Caviar do Mar Negro, acompanhado por um Bacalhôa Moscatel Trophy de 1999;
1º Prato: 
Lagosta da Nova Escócia, com um Branco 2007 da Adega de Vila Real ;
2º Prato
Bife de Kobe, com um Tinto Syrah 2005 de Ermelinda Freitas
Sobremesa: 
Mousse de chocolate Amedei Chuao, com um Porto Calém Vintage de 2000.
Segue-se o baile ao som da Banda 30 Seconds to Mars, com o tema The Beautiful Lie:

terça-feira, 3 de maio de 2011

E O POVO LÁ VAI CANTANDO E RINDO

Manuel Alberto Morujo
(Publicado no Distrito de Portalegre em 30/07/2004)

Na semana passada, num dia como outro qualquer, esta­va eu postado em frente ao televi­sor vendo um serviço noticio­so, dum determinado canal te­levisivo, quando surge um Comentador, economista de formação e habitual figura tele­visiva. Comentário para aqui, comentário para ali, Governo deposto, Governo reposto, tudo normal em democracia, eis que surge o comentário que desperta a minha atenção:
“o facto de haver uma Offshore na Madeira é motivo para que o Estado  não arrecade cerca de mil milhões de euros (duzentos milhões de contos por ano, resultante de impostos que não são cobrados.”
Leu bem, caro leitor. A fuga legal aos impostos, que é permitida nas “terras Jardineiras”, representa a sexta parte do Orçamento do Ministério da Saúde e, continuando neste Ministério, a dívida que actualmente tem para com a Apifarma (Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica).
Posto isto, recordemos o que foi prometido por Durão Barroso – ex-Primeiro-Ministro que “abandonou” o Governo ao cabo de quase dois anos e meio (António Guterres foi só ao fim de seis anos) – na campanha eleitoral de 2002:
- Criar empregos;
- Convergir as pensões mínimas com o salário mínimo nacional;
- Baixar os impostos;
- Rever as isenções de impostos verificadas na Offshore da Madeira.
O resultado, passados dois anos, é o seguinte:
- Quanto à criação de empregos, este não só não diminuiu como foi atingido o valor mais alto de desempregados alguma vez verificado em Portugal, mais de 450.000;
- No referente às pensões, estas estão abaixo do salário mínimo nacional mais de 100€;
- Sobre os impostos, não só não desceram como aumentaram (IVA de 17% para 19%);
- Quanto à última promessa, nada. Referirei apenas o comentário do tal Comentador:
“Os principais beneficiários do “esquema” são os Bancos e as Seguradoras, isto é, os donos do grande capital.”
Acrescento eu, em detrimento da grande maioria do Povo Português que, cada vez mais, vê os “meses compridos e o dinheiro insuficiente”.
Tanta mentira não seria possível num País a sério. E, como este não é um País a sério, “o Povo lá vai cantando e rindo”, cada vez mais numa sinfonia de País adiado. E as perspectivas são pouco risonhas, como se vai vendo “pelo andar da carruagem”.

Post-scriptum: Quase sete anos depois, constata-se, infelizmente, a minha previsão, de que o pior estava para chegar.