quarta-feira, 19 de setembro de 2012

OS BURACOS


“Para que resulte o possível, deve ser tentado o impossível”
(Herman Hesse)

Um dia destes dei comigo a pensar na quantidade de BURACOS que, de uma forma ou de outra, comungam connosco no dia-a-dia. Sem dúvida que o mais preocupante de todos é o BURACO do ozono devido à influência directa que tem na vida dos habitantes do terceiro calhau do Sistema Solar. O seu efeito constata-se no aumento da temperatura em todo o planeta o que consequentemente leva ao degelo dos glaciares, à transformação destes em icebergs e estes reflectem-se no aumento do volume das águas dos oceanos, os quais invadem as costas provocando grandes BURACOS na orla marítima. Também o ciclo das estações anuais sofrem esses efeitos, com a descaracterização constante do seu percurso e influência na vida do planeta, seja de origem animal, da fauna ou da flora. Portugal, como não podia deixar de ser, também vai sofrendo os efeitos de tais fenómenos da natureza. A seca, que temos vindo a sofrer, é um dos resultados mais prejudiciais e que mais não é do que a existência dum BURACO que a humanidade tarda em acabar, dando cumprimento ao protocolo de Quioto.
Mas, infelizmente, não ficamos por aqui em matéria de BURACOS neste país à beira – mar plantado. A grande maioria dos Portugueses sobrevive entre BURACOS. Eles são os BURACOS do desenvolvimento, mais no litoral do que “no Portugal profundo”, na construção de estradas, viadutos, túneis, urbanizações e de uma coisa moderna a que, os tecnocratas e políticos, da nossa praça, chamam de METRO DE SUPERFÍCIE. Sempre pensei que os METROS se deslocavam em BURACOS. Mas não. As “modernices”, para evitarem os BURACOS, passam a fazê-los deslocar como se de um qualquer comboio se tratasse. Curiosamente, os Portalegrenses, no que a comboios diz respeito, têm um enorme BURACO de acessibilidade.
Mas há mais. Em matéria de BURACOS, Portugal é dos melhores da Europa.
É o BURACO do défice orçamental, que se situa em relação a 2004 entre os 2,9% e os quase 5% - dependendo se o BURACO for observado por “olhos laranja ou olhos rosa”;
o BURACO da R.T.P., a que os Portugueses pouco ligam a não ser que haja um “joguito de futebol”, pois para a “pimbalhice” há outros canais;
o BURACO nas empresas públicas, os quais podem ser observados no METROPOLITANO de Lisboa (agora também temos o do Porto, sem BURACOS – o tal de superfície), da REFER, da CARRIS e da TAP. Todas estas empresas não deixam de aumentar os BURACOS para que as famílias dos funcionários possam, alegremente, viajar por conta do BURACO orçamental;
o BURACO nas empresas que criam enormes BURACOS nas bolsas dos seus trabalhadores, os quais também vão, aqui e ali ajudando para que a produtividade, em Portugal, seja a mais baixa da União Europeia;
o BURACO em que os sucessivos Governos, das últimas duas décadas, meteram os Bacharéis e Licenciados (ao que parece mais de 40.000) que não arranjam colocação para desempenharem as funções para que se prepararam, durante a sua vida escolar;
o BURACO que o presente texto contém, onde cabem todas as preocupações dos Portugueses, que continuam cépticos em relação ao futuro.
Quem não evita as pequenas faltas, pouco a pouco cai nas grandes. Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento. Por isso mesmo o êxito nunca é uma dádiva mas sim uma conquista. Por favor, senhores Governantes ACABEM COM OS BURACOS pois, se não o fizerem, PORTUGAL NÃO TERÁ UM FUTURO AGRADÁVEL.
Manuel Alberto Morujo
(23 de março de 2005)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CONJUGUE INFIEL

13 de Setembro de 2012. O Primeiro-Ministro de Portugal, Passos Coelho, é entrevistado em directo na RTP1. 
Na actualidade, as novas tecnologias permitem-nos, apesar da distância, que possamos estar junto dos amigos. Assim aconteceu neste dia pois pude ir comentando com o Amigo Rui a entrevista, passo a passo.
21h42, comentei:
- Já entalou o Paulo Portas. Deste o golpe final. O gajo não te vai perdoar. Mais dia, menos dia, dá-te a "canelada". Faz as malas e vai cantar para São Carlos.
Afinal, antevi, no momento certo, o que se iria passar e...se está a passar.
Pedro Passos Coelho não foi para São Carlos, ainda, mas Paulo Portas, no seguimento do que fez com Durão Barroso, Santana Lopes e, anteriormente com Marcelo Rebelo de Sousa - já para não referir o que escreveu sobre Cavaco Silva quando era Director do Independente - provou que não é "conjugue" de confiança pois, ao primeiro amuo, torna-se infiel.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

BOLO TROIKA

Dizem-me que é tão "saboroso" como o "PASTEL QUE ESTÁ EM BELÉM".
Para fazer qualquer bolo é necessário, primeiramente, reunir os ingredientes. Este não foge à regra. Vamos a isto que se faz tarde e antes que o PPC venha infernizar-nos ainda mais:
Num recipiente rectangular
colocam-se 11% de descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, 30,7% de descontos dos trabalhadores independentes e, depois de bem batidos pela corja que nos des(governa), adiciona-se, pouco a pouco, 3,5% a 10% de descontos das pensões acima dos 1.500€.
Para completar esta "DELÍCIA", e de modo a ficar mais saboroso para os AGIOTAS que nos têm vindo a "MATAR AOS POUCOS", vamos ROUBAR a todos os Aposentados da Função Pública os 13º e 14º meses de modo a que estes não tenham a ousadia de viver "principescamente" e de auxiliarem os filhos e netos que não têm emprego.
Finalmente, e após estar tudo envolvido,  leva-se a cozer em forno bem quente e assim temos o Bolo preparado para levar aos "TROIKA'S SHITS", servido pelo...

EMPREGADO DE SERVIÇO




domingo, 9 de setembro de 2012

É SÓ MÚSICA...E DA BOA


Finalmente "O Desejado", qual D. Sebastião, está prestes a chegar.
Já se ouvem as afinações, parece-me que em "DÓI MAIOR", das    trompas e trombones, dos trompetes e tubas; 
dos oboés e clarinetes, dos fagotes e flautas; 
dos violinos e violoncelos, das violas e harpas; 
dos pianos, cravos e órgãos; 
dos bombos e caixas, dos pratos e carrilhões. 
Os executantes da Orquestra Filarmónica Belenense dirigida pela batuta do Maestro SILVA, o Tenor ACELERA OS PASSOS e o Pianista ABRE AS PORTAS ocupam os seus lugares, bem aprumados e orgulhosos para a recepção à TROIKA (FMI, BCE e UE). 
Ao som da Marcha Fúnebre de Chopin, a comitiva, carregada de pastas e embrulhos, vem trazer, à quase totalidade do POVO PORTUGUÊS, as amêndoas e folares da Páscoa (aumento dos impostos, do desemprego, dos juros, da inflação e os cortes nos salários, nas pensões, nos subsídios de Férias e de Natal).
Alguns, agitando bandeirinhas, aguardam, sem esconderem um certo nervosismo, que lhes seja entregue um "lugarzito" como Deputado, Membro do Governo ou, na pior das hipóteses, que lhes "calhe" um difícil e penoso lugar numa Empresa Pública ou Instituição Bancária, para onde vai ser encaminhada a grande parte dos 80.000.000.000 de EUROS.
E mais uma vez "eufórico", chorando até de "emoção", O POVO prepara-se para abrir caminho àqueles que o irá levar até ao "MUNDO DAS TREVAS".
Manuel Alberto Morujo
(Abril de 2011)

sábado, 8 de setembro de 2012

MENTIROSOS, CÍNICOS E HIPÓCRITAS

Como é do conhecimento geral os combustíveis aumentarão na próxima semana em Portugal, sendo que a gasolina 95 passará do actual 1,749€ para o 1,779€. 
Segundo a justificação apresentada, o aumento dever-se-á à desvalorização do Euro, por terem diminuído os "stoks" nos EUA e...BLÁ, BLÁ, BLÁ, PARDAIS AO NINHO.
Mas aqui ao lado na vizinha Espanha, onde a moeda oficial é também o EURO, a gasolina 95 hoje está a ser vendida a 1,549€ o litro e passará a ser comercializada, a partir da próxima segunda-feira - acredite ou não - por 1,539€.
Os Portugueses têm razão para estarem tristes e se sentirem infelizes pois estão a ser (des)governados por uma CORJA de MENTIROSOS, CÍNICOS E HIPÓCRITAS.
Poderiam ser inúmeros os exemplos para comprovar a minha afirmação pois, quem MENTE, ENGANA, DESPREZA AS CONVENIÊNCIAS SOCIAIS e FINGE DE BONDADE DE IDEIAS OU DE OPINIÕES APRECIÁVEIS, que outros epítetos lhes poderão ser atribuídos, para além destes?
José Sócrates, por quem não nutria grande simpatia, era, ao pé desta gente, "um menino do coro".








segunda-feira, 27 de agosto de 2012

OS VENDILHÕES DO TEMPLO


"A maior desgraça de uma Nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos."
Mia Couto (1955/...)

Será necessário ser demagogo, cínico e hipócrita para ser (des)governante neste País?
Quem consegue explicar a razão pela qual, quando chegam ao poder, o comportamento é, rigorosamente, oposto àquele que têm de quando estão na oposição?
Será o cheiro do poder que os afecta ou a necessidade de mostrarem o que realmente são, MENTIROSOS?

OS VENDILHÕES DO TEMPLO

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o Povo nada conhece…
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece,
A Cristo – o bom doutrinário.

António Aleixo, in “Este livro que vos deixo…”

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OUÇA O QUE PAULO PORTAS DIZIA, EM 2007, SOBRE OS COMBUSTÍVEIS

Vale a pena perder alguns minutos para ver até que ponto chega a demagogia, o cinismo e a hipocrisia de quem nos (des)governa, actualmente. Como se pode ter uma atitude tão contraditória? É possível, como se constata. Para tanto bastam as cadeiras onde se sentam os "representantes do Povo Português(???)".
Já dizia Frei Tomás, "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".


terça-feira, 21 de agosto de 2012

DOUTORES E LICENCIADOS, BACHARÉIS E...O RESTO


Era tempo de veraneio. A brisa, que vinha da costa alentejana, convidava os vera­neantes a passearem. Enquanto descia por uma das ruas da aldeia que Rui Veloso e Carlos Tê tão bem souberem divulgar, eis que, no meio da multidão - não tanta, mas alguma - se me afigura uma cara que pensei reconhecer. Uma troca de olhares e...tomo a iniciativa de perguntar:
- Desculpa-me a ousadia, mas tu não és o…         ?
- Sim, sou o engenheiro…
Algo perplexo com a resposta, pensei, num ápice, virar-lhe as costas. Mas reagi com alguma diplomacia e cordialidade.
- Não te via desde os tempos do Liceu, meados de sessenta, quando praticámos desporto juntos, jogámos bilhar, e “cavalinhos” no Alentejano, e "polimos" algumas pedras da Rua do Comércio. Desde então o que tens feito?
- Já te disse que sou engenheiro e vivo em Lisboa, onde exerço a minha acti­vidade.
Perante nova exibição do título académico, resolvi actuar como ele desejava. Nos pou­cos minutos em que estabe­lecemos diálogo, tive o cuidado de o tratar sempre por engenheiro não refe­rindo mais o seu nome.
Após as despedidas, continuei o meu caminho, aproximei-me da falésia e sentei-me num dos bancos virados para o mar, onde o constante bater das ondas me fazia recordar a musicalidade e o poema:
Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente
Ouvindo o rouxinol nas redondezas
No calmo improviso do poente.

Introspectivo, confirmei que o tempo modifica as pessoas, altera a sua personalidade! Nunca tal me tinha acontecido! Mas não há dúvida que há sempre uma pri­meira vez, em tudo.
Passado algum tempo, regressei a casa pois apro­ximava-se a hora de jantar. Curiosamente, nessa noite, ao ouvir o telejornal, duas notícias me avivam a memória: a primeira, não mais importante do que a segunda, referia que, no Vale do Ave, os empresários procuravam e não conseguiam arranjar quem desejasse trabalhar na in­dústria têxtil, mesmo pagando acima da média. A outra, dava conta de haver mais de vinte mil licenciados desempregados ou a exer­cerem actividades em áreas diferentes daquelas em que se formaram.
Nem a propósito: primeiro o ex-colega liceal que, desde o primeiro momento do reen­contro, mostrou a intenção de ser tratado pelo título acadé­mico. Seguidamente, a notícia de haver trabalho e ninguém o aceitar e de gente desem­pregada, que não aceita qual­quer trabalho. Por mais que me esforçasse, não conseguia entrosar as coisas, embora sentisse que elas se rela­cionavam entre si. Mas final­mente fez-se luz.
Nos dias que correm, a importância de se possuir um título académico é, para alguns, a razão da sua existência, independente­mente do que saibam fazer e, pior ainda, da sua competência. Na verdade, há por aí tantos a quem chamam de "dou­tores" e só possuem a licenciatura! Estes, quanto muito, poderiam ser tratados por LIC, de maneira a não os confundirem com aqueles que são realmente Doutores. Já o outro dizia que "chapéus há muitos", que transportado para o momento actual poderá ser "licenciados há muitos, mais do que se possa imaginar". Duvidam? Dou apenas dois ou três exemplos:
-quem cumpriu o serviço militar, é licenciado;
-quem exerce funções para as quais é necessária car­teira profissional, é licen­ciado;
-quem tem carta de condução, é licenciado.
É verdade que são licenciados também aqueles que adqui­riram um grau ou título uni­versitário, entre o Bacharel e o de Doutor. Mas, mui­tas vezes, para se exercerem determinadas funções de grande responsabilidade não é necessário ser-se "Dr", "Lic" ou "Bac". Basta, somente,  currículo e competência para o desempenho das funções. Querem três exemplos:
-António Capucho, líder parla­mentar do P.S.D.;
-António José Seguro, deputado Eu­ropeu pelo P.S.,
-Armando Vara, Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro.
Afinal, Portugal é uma terra de muitos doutores que não são doutores, de muitos licenciados que querem ser doutores e de muitos licenciados que o são sem saberem. Consoante a importância das funções, e aliada ao traje que envergam, mesmo os que não o são, passam a sê-lo.
Por cá, e contrariamente ao que se passa em outros países europeus, dá-se demasiada importância aos títulos académicos. Isso tem a ver com a "cultura do penacho".
Manuel Alberto Morujo
26 de Agosto de 2000

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

INVERSÃO? QUEM ACREDITA?

A propósito das declarações do Primeiro-Ministro, na passada semana, de que "o ano de 2013 será um ano de inversão", lembrei-me do seguinte pensamento de Friedrich Nietzsche:
"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PENSAMENTO DO DIA 08/08/2012


"OS POLÍTICOS E AS FRALDAS DEVEM SER MUDADOS, FREQUENTEMENTE, E PELA MESMA RAZÃO."
EÇA DE QUEIROZ (1845-1900)

PORTALEGRE - A CASCATA E O TARRO

 JARDIM PÚBLICO, ANOS 40 (SÉC. XX)
AO FUNDO A CASCATA, À DIREITA O CEDRO
 AO CENTRO, COM O CHAPÉU NA CABEÇA, O MEU PAI, JOÃO MORUJO 
E MAIS DOIS AMIGOS QUE NÃO CONSIGO IDENTIFICAR.


JARDIM DA AV. DA LIBERDADE, 2012 (d.C.)
AO FUNDO O TARRO...E OS RESTOS QUE LÁ DEIXARAM
2012 (d.C.)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

PORTALEGRE OUTRORA...E PRESENTE




A tarde escurecia, rapida­mente. No Verão, o dia é enorme mas o crepúsculo também chega. Dura quão o tempo o deixar.
Sinto-me angustio­so, melancólico, revoltado. De­cido-me a sair de casa e po­nho-me a percorrer as ruas da minha cidade, sem destino e solitário como um condenado na sua cela, fugindo de mim. De­sencaminhado na solidão, co­meço a perder o rumo. Sinto-me disperso e mais só do que nunca. Quero conhecer o se­gredo das coisas e das almas.

De repente, paro. "Acordo" e dou comigo frente à Casa do Poeta, José Régio:

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí.

Cântico Negro. Recordo o passado, tento entender o presente, não sei se desejo o futuro.

Um pouco adiante, rendido ao cansaço, sento-me num banco debaixo de uma árvore a qual deixa passar uma luz vinda daqueles candeeiros inexistentes ali nos tempos estudantis. Escuto a voz de tudo o que sinto.

“A minha Pátria é a Língua Portuguesa”, veio-me à memória  Fernando Pessoa:

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
È a vela que passa,
Na noite que fica.

Já é tarde. A noite caiu e está agradável com a brisa fresca que se faz sentir. Levanto-me e caminho pela cidade velha. De soslaio, tenho ainda tempo de ver que as arrojadas chaminés já não brotam fumo na direcção da cidade.

Num ápice, inicio a caminhada pela principal artéria da cidade:
José Maria Alves, Caixa Geral de Depósitos, Café Alentejano, Banco Pinto Sotto-Mayor, Sr. José Augusto, Alfaiataria Traguil, Papelaria-Livraria José Tavares, João Morujo, Sr. Silvino Henriques da Silva, Alfaiataria Moutoso, Sr. Teixeira, Sr. Monte Empina, Casa Chiado, Farmácia Esteves Abreu, Ourivesaria Elias, Sr. João dos Bigodes, Sr. Francisco Paiva, Sr. Alcobia Marques, Sr. Manuel Azinhais, Alfaiataria Albano Durão, Sr. Pinheiro, Casa Ferreira, Pérola Comercial, Sr Júlio Margalho, Casa Piçarra, Sr. Filipe José Quezada, Sr. António Ribeiro, Casa de Bordados Oliva, Casa Vaqueiro, Casa Nini, Quesada&Cardoso, Sr. Tiago, Ourivesaria ÁriasI, Sapataria Ramos, Padaria Esteves Moreira, Sr. Felisberto, Banco Nacional Ultramarino, Alfaiataria Hernâni, Sr. Custódio SilvaI, Café Central, Correios de Portugal, Sapataria Sanches, Salchicharia Brito, Sr. José Cardoso, Casa Ascenção, Casa Formidável, Fotógrafo Rosiel, Sr. Hermínio de Castro, Sr. Martins, Sr. Umbelino, Alfaiataria Manuel Cabecinha, Sr. António Pereira, Casa Mirra, Sr. Francisco Paiva, Sr. Custódio SilvaII, Farmácia Nova, Sr. Lourinho, Ourivesaria Cabecinha, Casa Singer, Sr. Godinho, Padaria Baptista, Barbearia Pardal, Sr. Guanilho, Sr. Joaquim Ribeiro, Casa Nuno Álvares, Pastelaria A Tentadora, Chapelaria e Camisaria Garcia, Casa Silva Freitas, Sapataria Camejo, Sr. Fitas, Sr. Milhano, Sr. Marchão, Sr. Manuel Vintém, Casa Tapadinhas, Sr. Casa Nova, Casa das Sedas Sr. Simão, Companhia de Seguros Ultramarina, Tinturaria Espiga, Ourivesaria Árias II, Sr. Cruz, Café Luso, Mercearia Rodolfo, Casa Papafina, Cegrel, Sr. Casimiro Bezerra, Café Facha, Casa Raimundo, Estação de Serviço Sonap, Cervejaria Tropical e, quase sem dar por isso…Palácio Póvoas.

Na rua, que deixei para trás sem vozes e sob a luz fresca da Lua, cruzei-me apenas com um ou outro canídeo que procurava um ou outro alimento descuidado, que o satisfaça.

Nostálgico, olho sem nada ver. Nesse instante, pareceu-me ouvir alguém chorar lamentando a partida que o destino pregou aos Portalegrenses. Era alguém que ali deixou muitas décadas da sua vida com uma entrega e dedicação incompreendida. Outrora, esta artéria era o coração da cidade, hoje sem coração, sem respiração, sem alma…apenas memórias.

Ponho-me a caminho de casa e recordo o Poeta Cristóvão Falcão:

Todo o bem dura um momento,
O mal é de todo o ano
Por breve contentamento,
Grande tempo, grande engano.


A minha homenagem a todos aqueles que já partiram (não só aos aqui referidos) e que fizeram desta cidade um espaço do qual nos orgulhávamos.

(Manuel Alberto Morujo)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

30 DE FEVEREIRO DE 2013


Pouco passava das sete horas quando o Sol começou a despontar por detrás do casario situado no Atalaião. Perspectivava-se um dia cheio de emoções, inesquecível para todos os Portalegrenses, quer fossem ou não autóctones. A cidade apresentava-se, como outrora, com o seu casario resplandecente, engalanada de camélias de cores rosadas e brancas. As ruas principais, por onde mais tarde iria passar a comitiva oficial, apresentavam já um movimento desusado com muitos trabalhadores camarários a aprestarem-se a dar os últimos retoques de limpeza. Nalgumas das sacadas, também denominadas por balcões de janelas, viam-se também as primeiras colchas de várias cores esvoaçando com a leve brisa que soprava de Leste. À medida que o tempo decorria, o movimento citadino aumentava e as caras dos passantes exteriorizavam uma alegria indescritível como se algo de extraordinário estivesse a acontecer. Vindo de não muito longe, ouviam-se os primeiros acordes de instrumentos musicais de sopro e um rufar de tambores cujo som aumentava à medida que deles nos aproximávamos. O Rossio, a sala de recepção de visitas por excelência, apresentava já uma excelente moldura humana e as altas individualidades locais misturavam-se com “a plebe” agradecendo, com sorrisos rasgados, os agradecimentos que lhes eram dirigidos. “Finalmente alguém prometeu e fez algo pela nossa terra”, secundado por outras expressões como “honra e glória a quem soube tirar-nos do isolamento” eram as expressões mais ouvidas quando o Presidente Autárquico, engravatado e vestido a primor para a ocasião, deambulava por entre a multidão. 
Num repente a agitação aumenta. “Os figurões” da cidade colocam-se nos locais que previamente lhes haviam sido destinados e o roncar das motos anuncia que estão chegando “os figurões” nacionais.
Mas a que se deve tudo isto, tamanha manifestação de regozijo nunca antes vista por “estas bandas”?
Efectivamente, e tal como havia sido prometido anos atrás pelo “figurão-mor”, a cidade transformou-se num dos maiores centros do Mundo na feitura de jogos para PLAYSTATION e podia agora orgulhar-se de ter uma população com mais de cinquenta mil habitantes, na qual a fixacção dos jovens se transformara em realidade e o mercado habitacional está em alta. Mas também o Aeroporto da Abrunheira finalmente apresenta um movimento só visto nos Aeroportos Internacionais, a Estação de Caminho-de-Ferro na zona dos Telheiros (velha aspiração Portalegrense) a fazer esquecer que a Estação Ferroviária mais perto da cidade fosse a do Fratel, assim como a nova Estação Rodoviária, finalmente activada. A hotelaria, ora insuficiente, oferece agora uma resposta condigna e a principal artéria da cidade volta a ter uma oferta comercial só equiparável às grandes metrópoles, a par do Centro Comercial de São Mamede.
Entretanto, a “velhinha” Banda da Euterpe fazia-se ouvir agora em uníssono, os foguetes trovejavam, a multidão batia palmas e ovacionava “os figurões” autóctones e não autóctones e…ACORDO SOBRESSALTADO!
AFINAL ESTAVA A SONHAR.
Manuel Alberto Morujo

O QUE NOS IRÁ ACONTECER?


(Parte de um texto publicado, no Distrito de Portalegre, em 6 de Fevereiro de 2004)     

Portugal quis fazer parte da elite mundial e, para isso, ade­riu à União Europeia (na altura chamava-se Comunidade Económica Europeia). Estáva­mos em mil novecentos e oiten­ta e seis. Recebemos ajudas e criou-se uma dinâmica como se fossemos um País em vias de desenvolvimento. Aqui e além pareceu que a nossa mentalidade iria mudar e que deixaríamos de ser o País das baldas, do desleixo e das irresponsabilidades. Que passaría­mos a ser um Povo mais pro­dutivo e lutador incansável, criando riqueza para ser dis­tribuída com justiça social e diminuir as assimetrias. Mas... "a montanha pariu um rato". A realidade aí está, pon­do os portugueses descrentes, depressivos, sem auto-estima, sem referências, sem valores que possam alterar este estado de coisas.
A verdade é que, passados todos estes anos, as ajudas vão terminar deixando-nos, prati­camente, entregues a nós pró­prios. Em contrapartida, outros Povos mais atractivos e com valores bem mais homogéneos e consistentes do que nós, irão partilhar o nosso território de concorrência e receberão ajudas  idênticas às que nós já obtivemos. 
A abertura da União Europeia, a Leste, poderá assim vir a constituir o nosso maior problema desde o vinte e cinco de Abril. Infelizmente, os sucessivos Governos (ou desgovernos?) não souberam (ou não quiseram?) durante este período interiorizar que a produtividade era factor essencial para que pudésse­mos ser mais solidários, mais empreendedores, mais traba­lhadores, mais eficientes. Em cada sector, em cada activida­de, em cada empresa deveria ter estado presente que, a "ga­linha dos ovos de ouro", seria efémera. E foi por ter faltado, du­rante aquele período, uma cultura de responsabilida­de consistente no sentido de fazer entender que a produtivida­de é a primeira forma de solidariedade, que chegámos a este estado. Embora tenha havido Portugueses para quem isto era óbvio, houve alguns para quem não o era,  assim como também houve Portugue­ses que estavam disponíveis e motivados para aquele desafio e outros para quem o desafio era excessivo ou desne­cessário.
Face ao acontecido, vive-se hoje em Portugal uma verdadeira tensão, uma tensão essencial­mente social que atravessa to­das as classes e condições. So­mos hoje o Povo menos pro­dutivo da União Europeia. Mas, por exemplo, são Portugueses vinte e cinco por cento dos trabalhadores do Luxemburgo, o Povo mais produtivo da Eu­ropa!
 Mas o que está mal entre nós pois não alteramos os nos­sos maus hábitos? Creio, e cer­tamente muitos concordarão comigo, que o que está mal é o sistema político (ou melhor, os que utilizam o sistema político) para orientarem a sua ac­ção segundo as necessidades do momento, a fim de poderem chegar mais facilmente a um resultado tem­porizador, aguardando as cir­cunstâncias oportunas muitas das vezes em proveito próprio…e do seu clã. Chamo a isto OPORTUNISMO, contrariando a verdade usando a MENTIRA.
Pobre Povo, cuja PÁTRIA é a Língua Portuguesa que teve, e tem tanta “podridão” a gerir os nossos destinos. E, se continuarmos de­satentos, a História ir-se-á repetindo ano após ano, década após década.
Manuel Alberto Morujo