terça-feira, 6 de dezembro de 2011

NATAL... NUM MUNDO HIPÓCRITA


A missão suprema do ho­mem é saber o que precisa para ser homem.
Emmanuel Kant (1724-1804)

A época festiva, que ora de­corre, simboliza a celebração do nascimento de Cristo cujo momento mais subli­me é no dia vinte e cinco de Dezem­bro. Todavia, nem sempre as­sim foi. Efectivamente, só no século IV, por determinação do Papa Júlio I, foi fixado aquele dia para comemorar tão impor­tante e significativo aconteci­mento histórico.
São três os quadros que ca­racterizam a época natalícia: o Presépio e a Árvore de Natal, a Missa da Meia - Noite ou Missa do Galo e a Ceia da Consoada ou Ceia de Natal. É, por tradi­ção, a festa da família e também deveria ser um período de recolhimento, de meditação e, ainda que por breves instantes, de lembrança daqueles que nunca tiveram Natal e, muito provavelmente, jamais saberão o que isso é dadas as adversidades da vida.
Mas todo o tempo é tempo, de ser tempo, para reflectir e, por isso mesmo, permitam-me a franqueza, penso que é também o período em que a hipocrisia mais se releva. Os exemplos são infinitos nas famílias, entre colegas e na sociedade em geral, sendo alguns destes chocantes e dramáticos envolvendo grande parte da humanidade. Senão, vejamos:
Como é possível haver tanta gente de um lado a morrer de fome e de sede (cerca de 800 milhões de seres humanos vítimas de subnutrição) e de outro lado tão grande desperdício?
Como é consentido tão grande desequilíbrio entre sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas?
Como se pode ignorar que, durante a década de noventa, tenham abandonado as suas casas, devido à guerra, mais de noventa milhões de pessoas, tenham morrido mais de cinco milhões e ficado feridas mais de seis milhões?
Como se pode aceitar que tenham nascido mais de quarenta milhões de crianças que não foram registadas e que, diariamente, tenham morrido mais de trinta mil crianças por causas evitáveis e, PASME-SE, existam mais de cem milhões de crianças que vivem ou trabalham na rua?
Como não se evitou que mais de dezoito milhões de seres humanos tivessem morrido devido a doenças transmissíveis?
Efectivamente, não serão estes motivos suficientes, mais reais do que aparentes, para nos sentirmos envergonhados e perturbados?
Esta realidade não pode, nem deve, ser escamoteada pois é por demais evidente que escolhe como alvos os mais desprotegidos, mas que poderá também chegar a toda a sociedade universal se, hipocritamente, continuarmos a ignorar o Mundo que nos rodeia. Tole­rar situações destas, num mundo dito de global, somente pode acontecer devido à ex­ploração do homem pelo ho­mem, do oportunismo, da in­veja, do desemprego, da droga, da insegurança e da corrupção. Tudo isto poderia não existir se houvesse o hábito, a vontade do que deve ser um ideal e o meio de o realizar, de pôr esta regra em prática para todos os ho­mens de todos os lugares, por imperativo categórico, tendo em conta o que é necessário fazer e o que é preciso evitar com um espírito de fraternidade. E, não acontecendo assim, A ÉPOCA NATALÍCIA, O NATAL, onde quer que seja celebrado, terá sempre uma chaga, ainda que muitos não dêem por ela, refle­xo daqueles que são vítimas da natureza humana.
Manuel Morujo
(Escrito e publicado em 5 de Dezembro de 2003)

domingo, 4 de dezembro de 2011

BELOS TEMPOS...RECORDAR É VIVER

Acabo de descobrir este "tesourinho" e não resisto a divulgá-lo. Trata-se da equipa de futebol do Liceu Nacional de Portalegre, do ano lectivo de 1963/64. Há dois que já não estão entre nós, o Zé Maria (Peixe) e o Nuno Pais. Apesar de nada saber desde há anos do Altino, do Bengala e do Fouto, os outros ainda por cá andam.
Um abraço saudoso para todos. 


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

RECORDAR OS COLEGAS LUÍS FILIPE CAROÇO E RAUL CÓIAS DIAS... E OS OUTROS QUE TÊM A SORTE DE AINDA POR CÁ ESTAREM.

Fui rebuscar esta foto, tirada em Maio de 1965, ao meu arquivo. Com ela, quero recordar alguns dos Colegas Liceais, essencialmente dois que, infelizmente, já não se encontram entre nós: o LUÍS FILIPE CAROÇO E O RAUL CÓIAS DIAS. 
Da esquerda para a direita: 
António Rodrigues, Luís Carvalho Costa, Júlio Sajara Madeira, Mário Durval, LUÍS FILIPE CAROÇO, Guido Ferreira, Manuel Elias, Júlio Miguens, RAUL CÓIAS DIAS, Manuel Morujo, António Adélio (Todé), Mário Cardoso, Manuel Soeiro, Falcão e Francisco Sardinha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

RECORDAR O RAUL CÓIAS DIAS

Não resisto, não resisto mesmo a publicar um pequeno trecho da tua "manta de retalhos de escritos de adolescência, alinhavada em cima do joelho, num claro exercício de narcisismo serôdio" como humildemente caracterizavas a tua excelente produção literária. Quem viveu como nós nos anos sessenta, em Portalegre, recordará, com a mesma saudade com que eu te sinto, esses belos tempos da nossa adolescência. Um Grande Abraço, Amigo. 




domingo, 27 de novembro de 2011

FUTURO CINZENTO, TALVEZ NEGRO


(Texto escrito e publicado em 6 de Fevereiro de 2004)

Portugal quis fazer parte da elite mundial e para isso ade­riu à União Europeia (na altura chamava-se Comunidade Económica Europeia). Estáva­mos em mil novecentos e oiten­ta e seis. Recebemos ajudas e criou-se uma dinâmica como se se tratasse dum País em vias de desenvolvimento. Aqui e  ali pareceu que a nossa mentalidade iria mudar e que deixaríamos de ser o País das baldas, do desleixo e das irresponsabilidades e  
passaría­mos a ser um Povo mais pro­dutivo, lutador incansável e criando riqueza para ser dis­tribuída com justiça social. 
Mas..."a montanha pariu um rato". A realidade está à vista, pon­do os Portugueses descrentes, depressivos, sem auto-estima ou referências e valores que possam alterar este estado de coisas.
A verdade é que, passados todos estes anos, as ajudas vão terminar deixando-nos, prati­camente, entregue a nós pró­prios. Em contrapartida, outros Povos mais atractivos, e com valores bem mais homogéneos e consistentes que nós, irão partilhar o nosso território de concorrência e receberão as ajudas idênticas às que nós já recebemos.
A abertura da União Europeia a Leste poderá vir a constituir o nosso maior problema, desde o vinte e cinco de Abril. Portu­gal, durante este período de apoios, não interiorizou que a produtividade era factor essencial para que pudésse­mos ser mais solidários, mais empreendedores, mais traba­lhadores, mais eficientes. Em cada sector, em cada activida­de, em cada empresa deveria ter estado presente que a "ga­linha dos ovos de ouro" seria efémera. E isso não aconteceu pois, du­rante aquele período, faltou uma cultura de responsabilida­de consistente e não soubemos interiorizar que a produtivida­de seria a primeira forma de solidariedade. Houve Portugueses para quem isto era óbvio e Por­tugueses para quem não o foi, assim como houve Portugue­ses que estiveram disponíveis e motivados para aquele desafio e Portugueses para quem o desafio era excessivo ou desne­cessário. O resultado está à vista: vive-se hoje em Portugal uma verdadeira tensão, uma tensão essencial­mente social que atravessa to­das as classes e condições. So­mos hoje o Povo menos pro­dutivo da União Europeia. Mas, por exemplo, são Portugueses vinte e cinco por cento dos trabalhadores do Luxemburgo, o Povo mais produtivo da Eu­ropa!
 Mas, o que está mal entre nós pois não alteramos os nos­sos maus hábitos? Creio, e cer­tamente muitos concordarão comigo, que o que está mal en­tre nós é o sistema político e, consequentemente, os que en­tendem dever regular a sua ac­ção segundo as necessidades do momento para chegarem mais facilmente a um resultado tem­porizador, aguardando as cir­cunstâncias oportunas. Chamo a isto OPORTUNISMO. Afir­mando-se contrariamente à verdade, que não é o que parece ser. Chamo a isto MENTIRA.
Pobre Povo, cuja PÁTRIA é a Língua Portuguesa.
Vamos deixar que isto continue assim, sem corrigir nada? Seremos incapazes de evitar que a História se repita?
Manuel Alberto Morujo

domingo, 20 de novembro de 2011

REVIVER O PASSADO EM PORTALEGRE

Perdi hoje um Amigo que sempre admirei, desde os idos anos sessenta. A sua elevada inteligência e qualidade intelectual, desde muito cedo despertaram a atenção dos que com ele conviviam. A sua partida, inesperada, trás-me à memória muito, bastante mesmo, do que com ele partilhei. Descansa em Paz, esta que por vezes em vida, amarguradamente, te fugiu. Nesta hora da despedida do Reino do Vivos, Amigo Raul Cóias Dias, presto-te a minha homenagem através de um texto que escrevi e publiquei em 26 de Julho de 2000 no Semanário Fonte Nova, a propósito de algumas publicações tuas no mesmo Semanário, durante algumas semanas:
Raulito
tinha saudades dos teus escritos daqueles que por vezes escrevias quando eras "guarda-redes" e não só mas também "pivot" na equipa de andebol do Liceu que nos ensinou a ser homens no tempo em que  as andorinhas anunciavam a chegada da primavera não aquela que era nossa colega mas a outra que era prenúncio da chegada das cegonhas  no tempo em que existia o "Romualdo e o "João da Praça" "o "Marchão e o Melhor do Mundo" o "Central e o Alentejano"onde jogávamos bilhar e cavalinhos falávamos de outras coisas que não aquelas que desejávamos naquele local de professores e intelectuais de poetas e escritores no canto perto do boneco que ainda lá está a anunciar a bebida que não bebíamos por preferirmos o tinto e o branco o cigarro e o isqueiro sem licença que usávamos às escondidas do fiscal que ali estava sempre presente para denunciar uma fraude à fazenda pública escrevias aqui e ali uma prosa um poema ausentavas-te para meditar e leres o Gorky ou o Sartre que nada nos diziam pois não o entendíamos como tu por não termos a tua   astúcia e ousadia alguns julgavam-te louco eu admirava a tua sensatez e inteligência mas finalmente voltaste Raul Cóias para quase todos Dias para muito poucos para nos trazeres os escritos estes sim dignos de perdermos algum tempo para nos deliciarmos com a tua prosa feita poesia com uma leitura e interpretação que mais ninguém conseguiu na época dos sessenta que vivemos em conjunto e hoje quase a entrar no terceiro milénio todos vamos contribuir para dares à luz o teu inédito de muitas páginas que descrevem a terra que Régio cantou
Um abraço do Manelito 

domingo, 13 de novembro de 2011

FORMIGAS "MARABUNTA" E GAFANHOTOS

Modéstia à parte, cada vez fico mais admirado como foi possível a um Cidadão Portalegrense que poucos - muito poucos mesmo - levaram a sério os seus escritos publicados em semanários regionais,ao ter antecipado e constatado que algo estava errado e que o País estava mal governado - muito mal mesmo - e que caminhava para o abismo, sem ninguém alterar o seu rumo como, infelizmente, hoje se confirma. Todavia, serve de conforto o que um Amigo, que além de o ser de sempre é meu companheiro de tertúlias musicais, me escreveu há dias: 
"Os espíritos independentes e frontais serão sempre incómodos, mas são eles que fazem avançar a sociedade e por isso aprecio e apoio os teus textos"
O texto que se segue foi escrito, e publicado, em 26 de Agosto de 2005

“É difícil manter de pé um saco vazio”

Após três semanas de férias, retomo esta relação semanal com os meus leitores com a convicção de que a separação, ocasional, foi benéfica para todos.
Tal como vem acontecendo, de há muitos anos a esta parte, desloquei-me para o centro do País para aí passar uns dias. Francamente, que interesse tem o leitor em saber onde passo férias, para o estar aqui a referir? A resposta é simples: quero partilhar consigo, caro leitor, que não gosto do Algarve. Gosto do clima mais ameno, de praias com mais iodo, de menor envolvência de betão e, acima de tudo, não gosto de ser tratado, no meu País, como cidadão de segunda e de ser explorado por quem quer que seja.
Durante o período de férias houve um tema que me foi audível com alguma frequência, quer por cidadãos residentes quer, fundamentalmente, por emigrantes. Esse tema, principalmente nas conversas de praia, era sobre a situação política, económica e social do País. Uns afirmavam que Portugal tem um nível de vida elevado e um índice de produtividade baixo, apontando como responsáveis o aumento sistemático dos combustíveis e o facto de muitos trabalhadores receberem, embora pouco, mais do que produzem; outros referiam que há muitos parasitas a viver à custa de salários e reformas principescas, não deixando de enunciar que há também aqueles que vivem da corrupção e da evasão fiscal;
poucos eram os que afirmavam que o pior era o drama central das contas públicas e o bloqueio que criam na actividade económica.
Bem, a questão sem dúvida que é essa, mas não da forma como muita comunicação social nos tenta fazer crer. Vejamos:
Sabendo-se que a actividade económica gira, toda ela, à volta dos combustíveis - que atingiram valores impensáveis antes da Guerra do Iraque - torna-se hoje impossível, num País pobre e dependente daquele produto como é o nosso, evitar que tudo aumente para além de qualquer previsão mais optimista;
Também é sabido que há milhares de trabalhadores, na Administração Pública, que recebem mais do que produzem, sejam eles ou não privilegiados, o que esmaga profundamente, pelo seu número, o Orçamento do Estado;
Sabendo-se não existirem dúvidas quanto aos privilégios escandalosos de alguns, considerando, em muitos casos, que as despesas são elevadas e imorais, não deixa de ser também verdade, em meu entender, que essas despesas não são tão relevantes, sobre o buraco orçamental como se pretende fazer crer. O dinheiro envolvido, nesses abusos, é irrelevante perante a dimensão da cratera, que é o défice orçamental;
Sabendo-se que a criação de riqueza e o aumento da economia está assente no sector empresarial (público e privado), a absorção das despesas públicas, no que toca a despesas com pessoal, é demasiado superior ao valor que o seu trabalho presta à sociedade. Invoca-se, com frequência, que a Administração Pública abusa de dinheiros mal gastos e que concedeu direitos ao nível dos auferidos em Países ricos. Pouco se fala, ou escreve, que, desde a entrada de Portugal na U.E., o salário real aumentou cerca de 4,7%, no sector estatal, contra os quase 2%, no sector privado. Tudo estaria bem, se o sector público contribuísse com algo comparável e proporcional, para o bem - estar nacional;
Sabendo-se que, nas estimativas mais generosas, o valor produzido no sector público é inferior ao produzido nas empresas, estão assim criadas as condições para a devastação do corpo nacional;
Sabendo-se, finalmente, que a única coisa que pode devastar uma selva não é a marcha dos elefantes mas a fome das “formigas marabunta” e que a planície não é arruinada por manadas de herbívoros mas por pragas de “gafanhotos” eis-nos perante o problema:
como evitar que o POVO PORTUGUÊS continue a ser dizimado? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

FAMÍLIA, VIZINHOS E AMIGOS

“A vida nem sempre é muito complicada; nós é que a complicamos.”
                            (Anónimo)

Caminhava pela rua, outrora o passeio público da cidade, na companhia dos meus pensamentos. Eis que sou abordado por um amigo, que há alguns tempos não me via. Cumprimentou-me. Eu respondi ao gesto amável. Conversa para aqui, conversa para ali, chegam à baila os meus escritos. Curiosamente, disse-me ele, gostava muito das crónicas que publicavas e nas quais acabavas por escrever sobre muita coisa, querendo escrever sobre nada.
Nisto, passa um outro amigo que de imediato é trazido para a conversa e confirma que o estilo lhe agradava, também.
Mas por que deixaste de escrever, perguntaram em uníssono, tão prezados amigos.
Razões várias, incómodos constantes, subtilezas cobardes, por vezes. Também as críticas infundadas de gente que diz “não me ler”, mas que gosta de deitar o olho aos meus escritos, numa tentativa de abater o“bicho”. Claro está que ao “bicho” - que mais não fazia do que gostava e sentia, sem ser pago para tal e muito menos para fazer promoção “a troco de mais uns trocos” - não lhe é indiferente. Prestar servilismo, qual mercenário comunicativo, elogiar o primo directo ou indirecto, que ninguém sabe quem é, enaltecer-se o que ninguém ouve ou lê, passar-se atestado de falta de idoneidade a quem a tem, tentar ofender quem tem dignidade, não faz, nem nunca fará parte do meu “cardápio”. Contudo, não resisto a escrever mais umas linhas para aqueles que me consideram, uma pequena minoria…e para os outros.
O País tem um novo Governo. Já deram por ele, com certeza, apesar dos poucos meses de vida. Como todos os “nados vivos”, depois de limpo e bem arranjadinho, foi apresentado “à família, aos amigos, aos vizinhos”. Mal abriu os olhos já era para te ver, “povo amigo e ordeiro”, feliz e acomodado neste resplandecente cantinho a ocidente nascido. Novidades são poucas ou muitas, consoante nos posicionemos a leste ou a oeste.
“A família, os amigos e os vizinhos” não deixarão nunca de andar com ele ao colo, com as melhores amas, deslocando-o nos melhores carros, habitando nas mais luxuriantes vivendas.
Mas dos outros nados vivos, com a mesma idade, o que se sabe? Que uns são filhos “dos familiares, dos amigos e dos vizinhos” do“nado vivo” e crescerão também. Mas aos outros, a grande maioria, o que lhes acontecerá? Alguns passarão fome e morrerão. Outros, mais bem felizes, sempre terão para comer e crescerão sem luxos e grandezas. Estarão à espera de entrar para a pré – primária se tiverem vagas e os pais dar-lhe-ão uma boa educação na expectativa de que as coisas melhorem. É a lei da vida: alguns sortudos nascem em berço de ouro; a maioria nem berço tem. Pobre mundo que tão mal tratas os teus. Pobre País que só dá para alguns viverem bem... ainda que poucos.
Manuel Alberto Morujo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CONJUNTO ACADÉMICO "OS ATLAS"

Dedico, a todos aqueles que seguem este Blogue, o tema dos BEATLES, Eight Days a
Week, interpretado pelo Conjunto Académico Os Atlas (Portalegre), durante a Festa do seu 47º Aniversário, que teve lugar no passado dia 29 de Outubro, na Quinta das Hortas Velhas, Alvarrões, Marvão.

terça-feira, 19 de julho de 2011

FRASE DA SEMANA (19-25 DE JULHO 2011)

"A verdade é tão preciosa que precisa ser protegida por uma escolta de mentiras."
Wiston Churchil (1874-1965)
                                                                                                  

A GLOBALIZAÇÃO

“NÃO LOUVO, NEM CONDENO”
Padre António Vieira (1608-1697)

O mundo conturbado em que hoje vivemos, não deixa de ser a consequência lógica duma alteração de valores, e referências, por a sociedade não ter conseguido reconhecer e acompanhar as aceleradas mudanças universais dos costumes, das questões morais e éticas, do conceito do bem e do mal e do respeito pelos direitos dos seres humanos que, para muitos, não são mais do que sofismas.
A liberdade é o fundamento necessário da ordem moral e, ser-se livre, consiste no reconhecimento das leis da nossa possibilidade de acção, dentro dos limites estabelecidos e exigidos pela ordem social. É o poder fazer, ou deixar de fazer alguma coisa, e levar uma vida digna de si e da sociedade humana. Na verdade, negada a liberdade deixam de existir acções moralmente boas ou más, deixa de existir a obrigação e o direito, a responsabilidade e a sanção e o motivo para evitar as acções más, assim como o estímulo das boas, isto é, deixa de existir toda a vida moral.
E foi certamente porque estes conceitos não foram aprofundados, ou pelo menos não foram suficientemente geridos, o que me leva a pensar que a globalização foi efectuada apressadamente num tempo de inexistência da paz, pois esta nunca existiu desde a II Grande Guerra como provam os conflitos existentes desde então. Por isso, constato, face aos recentes acontecimentos, que foi a ausência de regras comuns de coexistência humana o que levou a que a intranquilidade e perturbação nas sociedades ditas ocidentais e desenvolvidas, permitisse que, tranquilamente, se desenvolvessem algumas abominações em regiões longínquas nas quais se cometem crimes hediondos. A inquisição levou tempo a desaparecer. E os teólogos protestantes não eram melhores do que os “talibans” ou os “totalitaristas”.
Não me estou a ver num mundo fundamentalista. O que esta gente quer no fundo é pôr em causa as conquistas da melhoria do nível de vida de algumas populações. Mas também aqueles que se dizem do mundo “livre” não quiseram, por razões de interesses vários, contribuir para as desigualdades existentes. Deixemos de hipocrisias: a globalização foi um erro pelo menos na simplicidade com que apareceu. E a prova disso são:
Os recentes atentados em Madrid e na Palestina, como o têm sido, constantemente, em Israel e no Iraque;
As constantes preocupações em que vive hoje o mundo ocidental - devido ao facto de não ser construída a paz nos locais de maior conflito, onde o nível de vida das populações está abaixo da miséria;
As mentes perversas, que continuam a olhar para o “umbigo” e não encaram a realidade do início do século XXI;
As posições extremas de radicalismo quer venham do Oriente ou do Ocidente.
Quem consegue alterar o percurso da história, que se avizinha de terror? Tenho sérias dúvidas que se consiga, tão depressa quanto o desejado.
 Manuel Alberto Morujo
(Distrito de Portalegre, 26 de Março de 2004)

domingo, 17 de julho de 2011

HAVERÁ DESENVOLVIMENTO EM PERÍODO DE CRISE?

Não é preciso ser muito le­trado para saber que o desen­volvimento do País tem sido inversamente proporcional, ao aumento do défice público. Nem tão pouco especialista para concluir que o peso do Estado asfixia esse desenvolvimento, nomeadamente, com o aumen­to incontrolável da despesa que é in­versamente proporcional à dimi­nuição das receitas, consequên­cia primeira da fuga ao fisco. Qualquer vulgar cidadão, deste País, sente que não tem havido um desenvolvimento assente num planeamento correcto do que se pretende fazer, assim como a definição duma estraté­gia mobilizadora que agregue a vontade de todos no processo de superação da crise, que terá tido início nos anos oitenta com uma situação similar à que hoje decorre e que levou, na altura, à intervenção do F.M.I. (Fundo Monetário Internacional).
Os ciclos de crise acontecem em Portugal, com uma certa re­gularidade e, mesmo assim, o poder político parece nunca querer aprender com o passa­do. Mais grave é, quanto a mim, o facto dos dois principais par­tidos, o Partido Social - Demo­crata e o Partido Socialista, te­rem tido a primazia de nos te­rem (des)governado, nos últi­mos trinta anos e surgirem sem­pre, quando estão na oposição, a criticar quem está no Go­verno pelos mesmos erros e ati­tudes daquelas que tiveram, quando governavam.
Com atitudes, como estas, certamente que o país dificil­mente recuperará do fosso em que caiu. Pensava eu, ainda há poucas semanas, que a classe política se tinha mentalizado que havia a necessidade de se unir em torno de reformas ne­cessárias à recuperação e de­senvolvimento do País!!! Nada de mais romântico, constato ago­ra. O que nos resta é apertar o cinto, esperar que a crise não pior e que a realidade e o prag­matismo surjam algum dia, de modo a sentirmos orgulho de “viver neste espaço à beira-mar plantado”.
Manuel Alberto Morujo
(Junho de 2005)


sábado, 16 de julho de 2011

DESINTERESSE, IMPOTÊNCIA E IGNORÂNCIA

“Para falar ao vento bastam palavras. Para falar ao coração são necessárias obras”.
Padre António Vieira (1608-1697)

Só o humano possui a capacidade de inventar tudo acerca do mundo e acerca de si próprio, para se perspectivar como humano e, consequentemente, agir como tal. Efectivamente, numa sociedade em permanente e acelerada mutação, como é aquela em que vivemos, cada vez faz mais sentido mudar, inovar. Temos de mudar é dito por políticos e governantes, educadores e cientistas, jovens e pais, dirigentes e professores, empresários e gestores. Palavras vãs que a realidade tende a confirmar. Na verdade, o desinteresse, a impotência e a ignorância são forças negativas que impedem ou dificultam a abertura à mudança a qual passa, fundamentalmente, pela criatividade. Se é certo que todos nós possuímos talentos criativos, que tal como as aptidões físicas e intelectuais podem ser treinados e desenvolvidos, não deixa de ser também certo que a sua manifestação varia de pessoa para pessoa, dependendo bastante do contexto sócio-cultural em que nasce, cresce e vive.
Mas a realidade é bem diferente. A mudança de hábitos e atitudes não acontece. E, por isso, o POVO PORTUGUÊS se tornou, quer na euforia quer na depressão, um POVO DOENTE. É fácil constatar que cada vez há mais portugueses a refugiarem-se no soporífero (televisão e futebol), no excitável (voyarismo e erotismo), no sobrenatural (seitas e astrologia), na evasão (modas e drogas) recusando-se a pensar, a conhecer e a intervir. Os níveis de crítica volatilizam-se na política, na imprensa, no ensino, nas artes, nos espectáculos, nos convívios e nos sentimentos. Mais: a reflexão intelectual fez-se um desperdício, a competência profissional um supérfluo, a honradez pessoal uma inconveniência, a dignidade cívica uma velharia. Não provocar ondas impôs-se uma divisa. É-se apreciado pelo que se diz, não pelo que se faz. É-se retribuído pelo que se exibe, não pelo que se aprofunda.
E, chegados aqui e agora a este estado de coisas, é minha convicção que isto só se alterará quando, cada um de nós, deixar de ser um mero espectador passivo do teatro levado a cabo por actores, que fazem da política a arte de mentir tão mal, pensando que só poderão ser desmentidos por outros políticos. Excluindo aqueles que aqui e ali vão denunciando e destapando os males da actual sociedade (de que é exemplo alguma, pouca, comunicação social) o facto é que, tirando alguns grupos instalados no regime, nas instituições e nos privilégios ou nos consumos, os restantes, a maioria da população, descobre-se insegura, desamparada, desmente, apática, com medo da vida e do futuro, da realidade e da ousadia.
Tudo isto, no fundamental, tem a ver com a forma desfavorável ou favorável onde o indivíduo é chamado a evoluir. Tem a ver com a educação, com a cultura e os hábitos que respiramos.
Mas nós, portugueses, somos assim. Com futebol aos domingos (e não só), feriados que calhem em dia de semana (se possível com ponte) e telenovelas da vida real, temos o português feliz.
Pobre país o meu que, cada vez mais, se vê afastado do resto da Europa ao constatar o aumento das dificuldades daqueles que são os mais desprotegidos, como os trabalhadores que, dia a dia, vêem os seus empregos ameaçados, senão mesmo até perdidos. Para onde e por onde caminhas, Portugal?
Manuel Alberto Morujo
Abril de 2005

segunda-feira, 11 de julho de 2011

CANTAS BEM MAS NÃO ME ALEGRAS

Mas, será possível isto estar a acontecer num País que está no estado em que está e a  Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano, ou seja, mais 163 vezes do que custava com Ramalho Eanes?

Dinheiro que, para além de pagar o salário do senhor Cavaco Silva, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República.
A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros do dinheiro dos contribuintes que, todos os anos, serve para pagar pensões e benefícios aos antigos Presidentes.
Os 16 milhões de euros, que são gastos anualmente pela Presidência da República, colocam Cavaco Silva entre os Chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha  (oito milhões de euros), sendo apenas ultrapassado  pelo Presidente Francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros) e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que “custa” 46,6 milhões de euros anuais.
E tem o senhor Aníbal Cavaco Silva a desfaçatez de nos vir dizer que:
"os sacrifícios são para ser distribuídos por todos os portugueses".
“Atão tá” bem, ó meu!
 E não se pode privatizar a Presidência da República?
A ser verdade, e se as contas estão bem-feitas, Senhor Presidente vá lá cantar para a sua rua...12 assessores e 24 consultores para o ouvirmos dizer “isto precisa disto e daquilo”, “tenho pena, mas não posso fazer nada”, blá-blá-bá, blá-blá-bá e pronto.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

MATA CÁCERES DEIXA OBRA OU...UM "BICO DE OBRA"?

É sabido que Mata Cáceres pediu (ou foi empurrado a pedir?) a cessação das funções que vinha exercendo no Concelho de Portalegre. O PSD, que desde 2000 o apoiou como independente, vinha demonstrando, aqui e ali em surdina, o inconveniente de o manter até às próximas eleições, em 2013, apesar de já não se poder candidatar.
Mas o que estranho é que, publicamente, apareça tanta gente, e com responsabilidades partidárias, a defender que "O Homem deixa obra feita". Mas, será que não deixa, pelo contrário, "UM BICO DE OBRA?" 
Entretanto, uma coisa é fácil de constatar, no que se refere à não concretização do slogan da candidatura em 2000, "VIVER PORTALEGRE - UM PROJECTO PELO FUTURO DO CONCELHO", o qual se transformou, quanto a mim, num "VIVER EM PORTALEGRE, SEM FUTURO".
Dez anos passados, muitas das promessas fantasiosas, não foram cumpridas. E assim, Portalegre passou umas das piores décadas da sua história recente.
Vejamos alguns dos muitos exemplos que podem justificar as palavras anteriormente  escritas:
a) Em termos populacionais, o Concelho perdeu mais de mil habitantes;
b) Em termos financeiros, depois de ter herdado 900 mil contos (4,5 milhões de €) de saldo positivo, em 2001, abandona o executivo deixando mais de 50 milhões de € (10 milhões de contos) de saldo negativo;
c) Em termos de promessas ilusórias e fantasiosas, foram imensas. Chegou a anunciar a vinda de mais 120 empresas para a Zona Industrial, por ele construída, num processo só possível porque "governava" em maioria;
a construção de: 
uma Pousada no actual Convento de S. Bernardo;
um Campo de Golfe;
um Centro Comercial (São Mamede);
um novo Hospital;
novas Instalações do Centro de Instrução da GNR;
uma Game City que, em 2012, contribuiria para Portalegre ter uma população, de mais de 50 mil habitantes;
d) Embora não totalmente da sua responsabilidade, o facto é que, em 10 anos, cessaram a actividade três unidades fabris, que empregavam centenas de pessoas, tendo chegado a afirmar, quando se candidatou em 2005 que "por mim a Fábrica Fino's já devia ter fechado há dez anos atrás".
Embora pouco se tenha falado disso, gostaria de saber se possível, quais as razões pelas quais não vieram para Portalegre o Fluviário, que foi para Mora e o Call-Center, que foi para Castelo Branco? 
E, já agora, o que ganhou o Concelho de Portalegre, com as comitivas oficiais que se deslocaram ao Canadá, a Marrocos e ao Brasil? Pelos vistos, NADA, a não ser contribuir para o défice que actualmente as contas camarárias apresentam.



quarta-feira, 6 de julho de 2011

A QUE TIPO DE GENTE ENTREGÁMOS A GESTÃO DO DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES?

Passam os dias, os anos e as décadas. Passou um quartel de século e "pergunto ao vento que passa, notícias do meu País e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz" como foi possível entregarmos a gestão dos dinheiros públicos, desde 1986 e depois do FMI ter estado em Portugal no período de 1983/85, a "FIGURÕES" que nem qualidades demonstraram para gerir uma mercearia de bairro?
Que responsabilização foi atribuída, com efeitos penalizadores, aos que, durante mais de 25 anos, governaram Portugal praticando uma "gestão danosa", a qual culminou com a vergonha de sermos considerados um PAÍS DE LIXO, que é o mesmo que dizer:
"MATÉRIA OU COISA QUE REPUGNA POR ESTAR SUJA OU QUE SE DEITA FORA POR NÃO TER UTILIDADE, ISTO É, ENTULHO OU PORCARIA?"
PELOS VISTOS... NADA. 
Trova do vento que passa
Intérprete: Adriano Correia de Oliveira
                                              Letra: Manuel Alegre

http://www.jornaldenegocios.pt/statsGen.php?id_autor=158&nrand=9.759995492640884e+21


http://www.jornaldenegocios.pt/statsGen.php?id_autor=158&nrand=9.759995492640884e+21



terça-feira, 5 de julho de 2011

FRASE DA SEMANA (5-11 DE JULHO 2011)


Senhor! eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a Teu lado,
E apodrecer Contigo à luz dos astros!
CRISTO
José Régio (1901-1969)

Homenagem ao meu antigo Professor Liceal, Dr. José Maria dos Reis Pereira:
Nos poemas de fundo religioso, dos primeiros livros do autor, costuma haver uma identificação entre o eu lírico e a figura de Cristo, ambos irmanados pela dor, pelo sofrimento e pelo sentimento de inadaptação ao mundo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E O POVO LÁ VAI CANTANDO E RINDO

Passaram sete anos desde o dia 30 de Junho de 2004, data em que escrevi, e publiquei, mais um artigo de opinião. Face ao que se passou (ou não passou) desde então, entendo oportuno transcrever parte daquele texto:

 E O POVO LÁ VAI CANTANDO E RINDO

"Não uses um canhão para matar um mosquito"
Confúcio (551-479 a. C.)

Na semana passada, num dia como outro qualquer, esta­va postado em frente ao televi­sor e a ver um serviço noticio­so, de um determinado canal te­levisivo. Eis então que surge um comentador, economista de formação e habitual figura tele­visiva. Comentário para aqui, comentário para ali, Governo deposto, Governo reposto, tudo normal em democracia. Mas isso já lá vai. O que importa aqui e ago­ra referir, tem a ver com o co­mentário surgido:
“o facto de haver uma Off Shore na Madeira é motivo para que o Estado não arrecade cerca de mil milhões de euros, por ano, resultante de impostos que não são cobrados.”
Leu bem, caro leitor: a fuga legal a impostos, que é permitida nas “terras jardineiras” representa a sexta parte do orçamento corrente do Ministério da Saúde ou a dívida que este Ministério tem para com a Apifarma (Associação Portuguesa da Indústria Portuguesa).
Segundo ainda o mesmo comentador “os principais beneficiários do esquema são os Bancos e as Seguradoras ou seja, os donos do grande capital”.
Em detrimento da grande maioria do Povo, afirmo eu, o qual, cada vez mais, vê “os meses mais compridos ou, de outra forma, o dinheiro insuficiente para todo o mês.”
Tanta mentira não seria possível num País a sério. E, como este não é um País a sé­rio, "o Povo lá vai cantando e rindo", cada vez mais numa sinfonia de País adiado. E as perspectivas são pouco riso­nhas, como se vai já vendo pelo "andar da carruagem".

sexta-feira, 1 de julho de 2011

OITO ANOS DEPOIS, A MESMA SENSAÇÃO

Depois de ter estado, ontem, cerca de cinco horas a assistir ao debate da apresentação do Programa do Governo, o que voltou a acontecer hoje durante mais duas horas, recordei-me deste texto que escrevi e publiquei em Novembro de 2003. Por, infelizmente, me parecer tão actual, resolvi republicá-lo:

SEM IMAGINAÇÃO
Tomar atenção ao meio em que estamos inseridos, querendo descobrir o sentido das coisas, é trabalhar a imaginação. Confesso, no entanto, que me sinto disperso e, por isso mesmo, sem imaginação. Aliás, o mesmo se deverá passar com a maioria dos meus concidadãos que dificilmente conseguirão imaginar como se poderá sair desta crise profunda que, desde o último ano do século passado, tem, sucessivamente, perturbado, direi mesmo abalado, a sociedade portuguesa. 
No momento imediatamente anterior ao início desta minha crónica, acabei de ler uma notícia que textualmente transcrevo: “ os Portugueses vão perder poder de compra até 2005 “. É óbvio, que esta frase não será novidade para a grande maioria dos Portugueses, visto haver uma minoria muito reduzida, que não será afectada. Efectivamente, dias mais difíceis estão para chegar. Se observarmos, com atenção, não há um sector da vida pública que não se sinta inseguro, ou melhor, que se sinta satisfeito com a situação actual. Aqui e ali vão-se sentindo algumas perturbações e agitação social, que culminarão com grandes manifestações lá mais para o fim do mês. Mas o pior de tudo é que não há alternativa credível para alterar este estado de coisas. Estamos metidos num enredo, que se iniciou em 1986 com a entrada na Comunidade Europeia (hoje União Europeia). Se bem nos recordarmos, durante quinze anos foi gastar à rica, numa primeira fase com a teoria do “oásis”, numa segunda fase com a Expo e, mais recentemente, com os estádios de futebol. O reflexo duma estratégia mal delineada, nos últimos quinze anos, em que foi gastar dinheiros que não eram resultado de mais-valias por nós produzidas, levou à situação actual em que não se consegue reduzir o défice orçamental.

E quanto a nós Portalegrenses para aqui esquecidos neste canto lusitano, “onde só vem quem quiser”? Permitam-me apenas recordar que, nos últimos trinta anos, a cidade de Portalegre perdeu mais de dois mil postos de trabalho, só na indústria. E o que se avizinha, não é de forma alguma muito risonho. Face às circunstâncias, o futuro é mais negro do que o breu se continuarmos a não criar infra-estruturas que permitam a fixação dos nossos jovens, evitando que tenham de procurar outros horizontes "para tratarem da vida". Ainda que indelevelmente, a sociedade Portalegrense vive hoje acomodada. Até se compreende, embora tenha inconvenientes. Senão vejamos:
-os casados têm medo de ver os filhos com fome e desamparados;
-os que optam pela vida fácil das carreiras têm medo de não serem promovidos;
-os que alcançaram uma posição estável e segura têm medo de transformações;
-os que têm prestígio têm medo do advento dum mundo que discuta os fundamentos do seu prestígio;
-os que vivem à custa dos valores que defendem, receiam todos os outros valores.
Não há dúvida de que o medo desempenha assim, na vida dos homens, um papel importantíssimo. Por isso, não há debate, não há ideias. São poucos os que, para além do seu círculo de amigos, se pronunciam. Como se o debate e a confrontação das ideias fosse um tabu. E, assim sendo, o meu País, a minha Cidade, os meus concidadãos estão como eu: sem trabalhar a imaginação, sem descobrir o sentido das coisas.
Manuel Alberto Morujo
(Novembro de 2003)