sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O ALARGAMENTO DA UNIÃO EUROPEIA


Senhor! eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a Teu lado,
E apodrecer Contigo à luz dos astros!
José Régio (1901-1969)

Não me levais a mal, caros leitores, de aqui e além diversificar os temas das minhas crónicas. Ao escolhê-los, estou, nem mais nem menos, a exteriorizar os meus sentimentos, ainda que de uma forma abrangente sem querer ser específico no seu tratamento. Creiam, que não sou mais do que um cidadão normal sentindo o pulsar da sociedade em função dos conhecimentos e experiências adquiridas. E a maioria das vezes aproximando-me daquilo que muitos sentem e sabem, os quais, por este ou por aquele motivo, não estão interessados em se exporem o que, para além de ser mais cómodo e politicamente correcto, sempre permite seguir o seu caminho, qual bóia de cortiça ao sabor das marés. 
A abordagem, que entendo dar aos meus escritos, resulta daquilo que é a minha visão com sentido de verdade, com ética e deontologia.
Não é decorrido ainda um mês, encontrei-me com um amigo de há mais de quarenta anos, que desempenha um alto cargo na estrutura empresarial em Portugal. Conhecedor da situação económica, financeira e social do País, como poucos, mostrou-se céptico quanto ao futuro. Com o investimento estrangeiro a diminuir, com a taxa de desemprego a aumentar (actualmente em quase 7%, 10% dos quais possuem curso superior), com as empresas multi-nacionais a deslocarem-se para os novos Países da União Europeia (são dez os que entrarão, oficialmente, no próximo dia 1 de Maio), com as importações a aumentarem (só com a Espanha o aumento, em 2003, foi mais de um milhão de euros) e a economia portuguesa com a síndrome do cumprimento da meta do défice (com os “truques” conhecidos), Portugal deixou de ser o País que “estava na moda”, no tempo do Professor Cavaco, para o País “adiado” em que actualmente vivemos.
É evidente que a conjuntura internacional, não é favorável. Mas também, se por um lado a produtividade é inferior ao desejado, por outro lado os gestores e administradores também não são dos melhores. E, com tudo isto, o País fica mais pobre. O P.I.B. foi negativo (- 0,8 % em 2003) e a maioria da população vive hoje pior do que vivia há dois anos. O fosso entre os ricos e pobres avoluma-se e os direitos sociais são postos em causa, tanto na função pública como na actividade privada. Aliás, situação idêntica se vai verificando um pouco por toda a Europa, cujas consequências foram já visíveis na Espanha e na Grécia e, mais recentemente, em França. 
Mas o que constato é que, embora importantes em democracia, as mudanças de Governo não mudam o essencial: a forma de fazer política e de governar mais séria com os princípios enunciados. Governar, não em função duma minoria que determina o rumo a seguir (lobies económicos), mas em função da maioria (população activa e dependente dos postos de trabalho).
Já referi, anteriormente, que o País tem um saldo negativo na balança comercial (importa mais do que exporta). E o facto, também já referido, da nossa produtividade ser baixa comparativamente com outros países com quem competimos. O que nos faz pensar, com grande preocupação, que a entrada dos novos dez Países trará ainda mais problemas na medida em que, nos quase dezoito anos que levamos integrados na União Europeia, não soubemos aproveitar os recursos postos à nossa disponibilidade. 
As previsões dos 10 novos Países da U. E. são de crescimento do P.I.B. (que vai desde +1,3% na Polónia até +6,7% na Lituânia), da diminuição do desemprego (à custa de algumas empresas multi-nacionais, que se deslocaram para esses países, para beneficiarem dos fundos estruturais, tal como fizeram em relação a Portugal em 1986) e do aumento das exportações. E não nos podemos esquecer que os novos dez Países estão situados mais perto dos nossos tradicionais importadores, como são os Países da Europa Central onde, provavelmente, serão colocados os mesmos produtos que até aqui exportávamos, com custos inferiores, nomeadamente, em transportes.
E, neste País à beira-mar plantado, continuamos, cada vez mais a investir, a concentrar a riqueza e a população no litoral (prevê-se em 2025 que 85% da população portuguesa esteja situada junto à costa), deixando o interior a caminho da desertificação (a agricultura definha) e nada se faz, senão promessas e intenções para inverter a situação. 
Vamos de mal a pior. E ninguém parece interessado em inverter esta tendência. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

BURAQUINHOS, BURACOS E BURACÕES


“Para que resulte o possível, deve ser tentado o impossível”
(Herman Hesse)

Um dia destes dei comigo a pensar na quantidade de BURACOS que, de uma forma ou de outra, comungam connosco no dia-a-dia. Sem dúvida que o mais preocupante de todos é o BURACO do ozono devido à influência directa que tem na vida dos habitantes do terceiro calhau do Sistema Solar. O seu efeito constata-se no aumento da temperatura em todo o planeta, o que consequentemente leva ao degelo dos glaciares, à transformação destes em icebergs e estes, finalmente, reflectindo-se no aumento do volume das águas dos oceanos, os quais invadem as costas provocando grandes BURACOS na orla marítima. Também o ciclo das estações anuais sofrem esses efeitos, com a descaracterização constante do seu percurso e influência na vida do planeta, seja de origem animal, da fauna ou da flora. Portugal, como não podia deixar de ser, também vai sofrendo os efeitos de tais fenómenos da natureza. 
Mas, infelizmente, não ficamos por aqui em matéria de BURACOS neste país à beira – mar plantado. A grande maioria dos Portugueses sobrevive entre BURACOS. Eles são os BURACOS do desenvolvimento, mais no interior do que no litoral, na construção de estradas, viadutos, túneis, urbanizações e de uma coisa moderna a que os tecnocratas e políticos da nossa praça chamam de METRO DE SUPERFÍCIE. Sempre pensei que os METROS se deslocavam em BURACOS. Mas não. As “modernices”, para evitarem os BURACOS, passam a fazê-los deslocar como se de um qualquer comboio se tratasse. Curiosamente, os Portalegrenses, no que a comboios diz respeito, têm um enorme BURACO de acessibilidade. E a tendência será para piorar se não forem tomadas iniciativas que o impeçam.
Mas há mais. Em matéria de BURACOS, Portugal é dos melhores da Europa.
É o BURACO do défice orçamental que se situa, em 2004 entre os 2,9% e os quase 5%, dependendo se o BURACO for observado por “olhos laranja ou olhos rosa”;
É o BURACO da R.T.P. a que os Portugueses pouco ligam a não ser que haja um “joguito de futebol”, pois para a “pimbalhice” há outros canais;
São os BURACOS nas empresas públicas, os quais podem ser observados no METROPOLITANO de Lisboa (agora também temos o do Porto sem BURACOS – o tal de superfície), da REFER, da CARRIS e da TAP. Todas estas empresas não deixam de aumentar os BURACOS para que as famílias dos funcionários possam, alegremente, viajar por conta do BURACO orçamental;
É o BURACO nas empresas que criam enormes BURACOS nas bolsas dos seus trabalhadores, os quais também vão, aqui e ali, ajudando para que a produtividade em Portugal seja a mais baixa da União Europeia;
É o BURACO em que os sucessivos Governos, das últimas duas décadas, meteram os Bacharéis e Licenciados (ao que parece mais de 40.000) que não arranjam colocação para desempenharem as funções para que se prepararam durante a sua vida escolar;
É o BURACO que o presente texto contém, onde cabem todas as preocupações dos Portugueses que continuam cépticos em relação ao futuro.
Quem não evita as pequenas faltas, pouco a pouco cai nas grandes. Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento. Por isso mesmo, o êxito nunca é uma dádiva mas sim uma conquista.
ACABEM COM OS BURACOS pois, se não o fizerem, PORTUGAL NÃO TERÁ UM FUTURO AGRADÁVEL.
Manuel Alberto Morujo
(23 de Março de 2005)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

AUSTERIDADE E PRIVILÉGIOS ABSURDOS DE ALGUNS


António Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, escreveu no Jornal de Notícias:

«[...] O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; 
tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; 
tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e — pasme-se — no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar-se nem fazer a sua higiene pessoal.
O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respectivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho. 
Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais.»
"A vida corre atrás de nós para nos roubar aquilo que em cada dia temos menos."

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

INCORRECÇÕES DOS OPINION´S MAKERS

MIGUEL SOUSA TAVARES EMITIU UMA OPINIÃO INCORRECTA
EDIÇÃO DA SIC DE 14 DE JANEIRO DE 2013 

Emitir opinião no seio de familiares ou amigos, não é o mesmo do que emiti-la em espaços públicos ou na comunicação social. E, muito maior relevo tem, quando é feita nos órgãos de Comunicação Social Nacional, nomeadamente na Televisão. Por isso o cuidado deve ser redobrado e preparar-se antes de dizer "atoardas". 
O que Miguel Sousa Tavares, com aquele seu ar de impaciente, indignado e irritado afirmou ontem no seu comentário, não corresponde à VERDADE e só poderá contribuir para que a opinião pública entenda que os Funcionários e Pensionistas da Administração Pública são os responsáveis do enorme "cancro" das finanças públicas.
Efectivamente, não está em causa de que, em termos genéricos, a ADSE é um Regime de Protecção da Saúde dos mais favoráveis existentes em Portugal. Mas a incorrecção de Sousa Tavares prende-se com o facto de ter afirmado de que os Funcionários Públicos descontam, apenas, 1,5% para a ADSE e os outros trabalhadores, 11% para a Segurança Social. 
Importa repor a VERDADE, senhor COMENTADOR, pois comparou a Protecção da Saúde do sector  público, com a Protecção Social, do sector privado, o que não é correcto pois não se devem comparar "alhos com bugalhos". Vejamos:
1- Os Funcionários Públicos descontam 11% para a Caixa Geral de Aposentações (área social, nomeadamente, para as pensões) e 1,5% para a ADSE (área de protecção da saúde);
2- Os trabalhadores do sector privado descontam, efectivamente, 11% para a Segurança Social (área social, nomeadamente, para as pensões, subsídios de desemprego e outros). Para a protecção da saúde (medicamentos, internamentos, consultas e outros) a verba é obtida através de receitas próprias e dos impostos "arrecadados" pelas Finanças. Portanto, e de modo a sermos mais exactos, os Funcionários Públicos descontam mais do que os Trabalhadores do sector privado e ainda contribuem, com os seus impostos, para o Serviço Nacional de Saúde. 
    

sábado, 22 de dezembro de 2012

GUIZOS, GATOS E RATOS


“Não procures esconder nada. O tempo vê, escuta e revela tudo.”
Sófocles (495-405 a.C.)

Revelar o que se pensa, ou o que se sente, é hoje em dia, só por si, um acto de coragem. Muitas vezes há quem se meta por caminhos sinuosos dos quais não mais sai ou, acontecendo o inverso, sai maltratado. Vezes sem conta isso acontece por se ser pouco sensível à crítica ou, pior ainda, por se gostar mais de ver o cisco nos olhos dos outros.
A sociedade actual, onde estamos inseridos, sofre uma mutação constante e veloz, esquecendo princípios e referências com a mesma facilidade com que se abre uma torneira para verter água. Passou-se a ser acusador sem qualquer fundamento ou conhecimento de causa e sentimo-nos vítimas se tocarem no nosso ego. Coabitamos numa sociedade cada vez mais hipócrita, desumanizada e agressiva.
Será por isso que estamos no limiar da vergonha e da seriedade, da afectividade e da fraternidade, do hábito e da vontade do que deve ser um ideal e o meio de o realizar?
Será também por tudo isto que o Povo Lusitano está com a auto-estima débil, com entusiasmo pouco visível, profundamente abatido, apático e enfraquecido?
Provavelmente estará e, convenhamos, com alguma razão. A imagem negativa que cada vez mais vamos dando de nós próprios a essa Europa que nos vai voltando as costas é própria dum país subdesenvolvido em que os escândalos são uma praga, a impunidade uma constante e a justiça peca por tardia. Será que face a tudo isto as instituições, as organizações e até a própria democracia estarão em crise?
A notícia, que me levou a meditar desta maneira, tem a ver com o facto de não terem sido cobrados 11.300 milhões de euros! (dois mil e trezentos milhões de contos) de I.R.C. a empresas que faliram (!), não apresentaram lucros (!) ou não declararam o imposto (!). Para dar uma ideia, aquela importância corresponde a cerca de dois orçamentos anuais do Ministério da Saúde.
A propósito, permitam-me caros leitores contar uma fábula, lida a tempos idos:
“Há muito tempo que alguns ratos, oriundos da cidade e do campo, procuravam um lugar condigno para viver. Depois de várias diligências, conseguiram ocupar um velho palacete. O sentirem-se donos e senhores desse amplo espaço dava-lhes uma felicidade e segurança, até então nunca experimentadas. Aí passavam os dias entregues às mais variadas tarefas.
Certo dia, esqueceram-se de tapar a gateira. Foi então que, furtivamente, um gato se introduziu no palacete e, de imediato, começou a fazer das suas. Quanto atacava era mais rápido e mortífero que um relâmpago.
Alarmado, com o que se estava a passar, o Presidente da rataria convocou uma Assembleia-Geral. Descrita a situação, foi entendido que a Assembleia não terminaria sem ver resolvido o problema. As ideias sucederam-se. Já perto do final, eis que um rato da cidade, conhecido pelo seu saber, pede a palavra:
- Tudo o que acaba de ser dito não passa de banalidades. A única solução é pendurar um guizo no pescoço do gato. Assim, cada vez que ele se mexer, o guizo toca e avisa-nos do perigo, dando-nos tempo a fugir. Após um silêncio profundo, os ratos gritaram em uníssono: muito bem, apoiado, excelente ideia.
 Entretanto, a um canto da sala encontrava-se um ratito do campo a quem o analfabetismo e timidez inibiam de se expressar. Lá se encheu de coragem e pediu a palavra. O rato, que presidia à sessão, mandou-o sentar, argumentando que não havia mais nada a tratar. Mas o ratito tanto insistiu que lhe foi permitida a palavra:
- Cá a meu ver o nosso colega da cidade teve uma boa ideia e penso mesmo que irá resultar. Mas gostaria de perguntar, quem é que vai pôr o guizo ao gato?
Cabisbaixos, e a olharem-se de soslaio uns para os outros, todos os ratos se afastaram para os seus aposentos. O facto é que o gato continuou sem guizo, acabando por dizimar toda aquela comunidade de ratos.”
(Manuel Alberto Morujo)
Abril de 2004


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O ZÉ ANDA TRISTE


“Os teus actos, e não os teus conhecimentos, é que determinam o teu valor”.
Johann Fichte (1762-1814)

Um dia destes encontrei o Zé, sozinho como sempre. Andava um pouco taciturno, cabisbaixo e melancólico. Cumprimentei-o, como sempre acontece. Mas desta vez, aproximei-me dele. Apesar de inicialmente ter feito questão de que não estava muito dado para conversas, lá reconsiderou e convidei-o a tomar um café. Sentados, iniciámos o diálogo:
- Sabes, caro amigo, cada vez estou mais desiludido com a política mas, acima de tudo, com os políticos.
- Mas a que se deve tão grande desânimo? Ainda há dois anos andavas tão crédulo, após alguém ter prometido que tudo iria mudar na tua vida e na dos teus concidadãos?
- Pois aí é que está a razão do meu descontentamento. Então não é que acreditei nele. Prometeu baixar os impostos, reduzir as listas de espera hospitalares, não investir em comboios e aeroportos, assim como submarinos e aviões, enquanto houver crianças com fome. Prometeu, também, diminuir a taxa de desemprego, melhorar as pensões e as reformas e, já me ia esquecendo, diminuir o défice.
- Mas o défice baixou e, se bem te recordas, ainda na semana passada era visível o contentamento do Primeiro – Ministro, no Parlamento, por ter sido reconhecido por Bruxelas esse esforço, o que levou à retirada de Portugal da “lista da negra dos não cumpridores”, como a França e a Alemanha. Ou tens dúvidas de que essa era a principal “herança” deixada pelo anterior Governo.
- Bem se vê que andas distraído. O défice real de 4,1% baixou para os 2,8%, mas à custa da hipoteca de dívidas ao City Bank, sem que seja do conhecimento público a taxa de juro aplicável.
- Sendo assim, a União Europeia não nos corta nos subsídios, uma vez que fomos “bons alunos” e não “cábulas” como acontecia anteriormente.
- Pois aí é que está a razão da minha discordância. Deixa-me dar-te um exemplo. Se uma família estiver em situação financeira débil e resolver hipotecar ou vender “as pratas herdadas da família”, naturalmente que resolve o problema. Mas fica sem património. E sem património não tem crédito. Por isso, discordo desta forma pouco transparente de reduzir o défice. Para já não falar sobre o aumento de impostos, (o I.V.A. desde há dois anos aumentou 2%), dos combustíveis (0,08 € desde Janeiro), das listas de espera que não diminuíram e também continua a haver crianças com fome. Em contrapartida, há dinheiro para os comboios e para os submarinos.
- Mas caro amigo Zé, estás demasiado pessimista. O Primeiro – Ministro também prometeu que, para o ano, os funcionários públicos irão ser aumentados e as pensões mínimas convergirão com o salário mínimo, até 2006.
O Zé que, embora não pareça, também sabe pensar, retorquiu:
- Estamos a pouco mais de um mês das eleições para o Parlamento Europeu e a pouco mais de cinco meses para as eleições Regionais nos Açores e na Madeira. Lá para os finais do próximo ano, haverá eleições para as Autarquias e, pouco depois, eleições Legislativas. E, em 2006, para a Presidência da República.
- E o que é que isso tem a ver com os aumentos anunciados?
- Tem a ver com o facto de que em Portugal se Governa tendo em conta os actos eleitorais, em detrimento das promessas eleitorais.
E lá foi cada um para o seu lado, após as despedidas.
(Manuel Alberto Morujo)
(Escrito em Maio de 2004. Era Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

AS PROFECIAS DE CAVACO SILVA


Estávamos em Março de 2002. No decorrer de uma Conferência na Faculdade de Economia do Porto, e a propósito da sustentabilidade da Segurança Social, Cavaco Silva referindo-se à quantidade de funcionários públicos em Portugal (cujo numero, diga-se de passagem, aumentou significativamente durante os dez anos em que ele foi Primeiro-Ministro), disse “a páginas tantas:
“Como é que nos vemos livres deles? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer.”
Esta extraordinária declaração, que revela uma total insensibilidade humana, é própria dum tecnocrata da política que apenas vê números, números e números. E pelos vistos, qual Nostradamus, acontece.  

DESABAFO


Não me levais a mal que, nesta época em que a hipocrisia mais anda por aí, emita um desabafo. Só com ele ficarei aliviado, sem aperto no coração ou fantasmas na consciência.
Cito Miguel Torga:
“Aqui, neste país e nesta hora.
Aqui, junto dos meus,
Mortos e vivos,
Aqui, de pés atados,
Livre como os balões cativos,
Que pairam, ancorados.”
A nossa história pessoal é um somatório de pequenas e grandes decisões. Embora o elogio seja pouco frequente, todos gostamos de ver reconhecido e apreciado o nosso esforço. Se na verdade aqui ou ali esse elogio surgiu, verdade é que, retirado ou forçado à retirada, surge o cair da parra. Estou farto de me vestir todos os dias, de cumprimentar todos os dias, de dizer todos os dias sim. A vida é cruel, excede muitas vezes o imaginável. Quando dei pelo que ela tem de reles e de grotesca, veio-me a tristeza.
É sabido que grande parte do nosso quotidiano é comandada pela força dos hábitos. É graças a eles que executamos, sem grande dispêndio de tempo e energias, um ilimitado número de actos. Muitos hábitos começam por ser frágeis teias de aranha que, pouco a pouco, se transformam em fortes cordas de aço que aprisionam a espontaneidade e criatividade.
“Viver não é necessário. Necessário é criar” escreveu Fernando Pessoa.
E eu considero-me criativo, mas passei o período de validade. Interesso-me pelos pontos de vista e problemas dos outros e interrogo-me, habitualmente, porque se hão-de fazer as coisas de determinada maneira e não doutra, ou simplesmente porque se fazem?
Teixeira de Pascoaes disse em verso:
“Tenho, às vezes, saudades do futuro
Como se ele já fora decorrido.”
É que o futuro, que desejo, aparece-me como uma espécie de já vivido ou, talvez melhor, como qualquer coisa que pressinto e que acho que me foi prometida.
Devo reconhecer aqui e agora que, nos últimos anos, as coisas não funcionaram. Foram as circunstâncias. De entre todas, destaco o empenho pessoal para dar vida e sustentabilidade ao Movimento de Cidadãos do Norte Alentejano, em 2006, e assim poder ser útil com a força do trabalho e dos conhecimentos adquiridos ao longo da vida pessoal e profissional. Da grande maioria contactada, recebi um silêncio ensurdecedor. Nem um abanar da folha, nem um silvo. Foi então que senti que, muitos conhecimentos, não são sinónimo de amizade.
Talvez tenha errado nas apostas políticas e naquilo que me expus ao emitir opinião, publicamente. Mas não estou arrependido do percurso que fiz, o qual reconheço, não me deu frutos. Pelo contrário, prejudicou-me.
Termino, não com votos do que não sinto, mas com os desejos de que “a noite de breu” seja mais breve  do que se adivinha.
E citando Leão Tolstoi:
“É pena a gente abandonar tudo aquilo com que vivi e estava habituado! Mas, que se há-de fazer? É preciso, também, a gente habituar-se ao que é diferente

terça-feira, 27 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

AS DICAS DO PORTUGUÊS MAIS EFICIENTE DA BAYER


Fac-símile da entrevista concedida ao Dinheiro Vivo, pelo Lino Miguel Dias                                      
Imagine-se a conduzir um carro numa viagem: quando entra e o liga, precisa de saber para onde vai para poder escolher o melhor caminho.
Tem de ter a viagem preparada em termos de recursos, materiais e pessoais, para evitar incidentes. Não pode tirar os olhos da estrada enquanto conduz para se poder reagir a tempo em qualquer situação. E, precisa de um canal de comunicação aberto para todos os 'copilotos' que viajam consigo. O exemplo é de Lino Dias.
Lino Dias é português, de Portalegre. Licenciado e doutorado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, foi distinguido este ano com o prémio de eficiência da Bayer, empresa multinacional farmacêutica onde trabalha há 11 anos, desde que se mudou para a Alemanha. Com ele, foram a mulher e as quatro filhas. É "apenas" um prémio, "um sinal de reconhecimento que muito me orgulha", garante Lino Dias.
A preparação da viagem de carro é um exemplo que dá quando o Dinheiro Vivo lhe pergunta pelo seu segredo: aquele que lhe valeu o prémio. Eficiência é mais do que gerir bem o tempo que se dedica ao trabalho. "Com certeza não deverá ser o mais importante se se quiser ser eficiente.", assegura.  "Considero muito importante saber identificar momentos críticos no trabalho, que precisem de dedicação redobrada e estar disponível para essa dedicação. Do mesmo modo, é importante que não haja muitos “momentos críticos”, pois isso seria sinal de que alguma coisa não está bem.", explica.
Lino justifica o sucesso com um fator diferenciador: o empenho com que trabalha ou, por outras palavras, a paixão com que o faz. "Este elemento é diferenciador porque é altamente 'contagioso' numa equipa. É a forma mais bonita de liderar. Já fui liderado muitas vezes dessa forma na Bayer, e tento sempre seguir esses exemplos trazendo “paixão” para os meus projetos."
Sobre a gestão que faz do tempo, Lino Alves assegura que, mais importante do que trabalhar além do horário é saber gerir a agenda pessoal. Recomenda uma "vida pessoal equilibrada." "Delegar tarefas e distribuir poder de decisão é fundamental. Além disso é também a melhor forma de desenvolver pessoas profissionalmente."
Por isso, na agenda do engenheiro não faltam programas com as filhas. "Delicio-me a desenvolver atividades de que gosto, como ler e escrever, assistir a ópera - a Alemanha é um paraíso em boas casas de ópera - ou a praticar badminton e golfe."

A CORRUPÇÃO É A PRINCIPAL ACTIVIDADE POLÍTICA EM PORTUGAL

Ainda temos o descaramento de culpar os de fora. Quem nos faliu está cá dentro, bem perto do coração de Portugal - os governos.

Paulo Morais impediu negócios ilegais que rondam 600 a 700 milhões de euros na área do Porto quando era Vice-Presidente. E levou a cabo 30 processos de denuncia na câmara municipal do Porto  onde tinha 2 pelouros: o do tráfico de Droga nos bairros sociais e o do urbanismo. Ele ironiza que havia margens de lucro semelhantes ao tráfico de droga, na área urbanística, o que o fazia sentir que tinha dois pelouros na área do tráfico. Tráfico de droga e de terrenos.
Refere ainda um caso em Valongo (com o genro de Narciso Miranda), que ele denunciou, em que ás 4 da tarde compra um terreno por 4 milhões e ás 4.30 vende-o por 20 milhões. 

                                    

PSEUDO-FUNDAÇÕES

Este video, de José Gomes Ferreira, conta um caso de ilustres milionários que usam subsídios do Estado para pseudo-fundações, as quais servem para restaurar as suas moradias e realizar grandes festas privadas.



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O ALARGAMENTO DA UNIÃO EUROPEIA


O texto que se segue foi escrito, e publicado, em Abril de 2004

Senhor! eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a Teu lado,
E apodrecer Contigo à luz dos astros!
José Régio (1901-1969)

Não é decorrido ainda um mês, encontrei-me com um amigo, de há mais de quarenta anos, que desempenha um alto cargo na estrutura empresarial em Portugal. Conhecedor da situação económica, financeira e social do País, como poucos, mostrou-se céptico quanto ao futuro. Com o investimento estrangeiro a diminuir, com a taxa de desemprego a aumentar (actualmente em quase 7%, 10% dos quais possuem curso superior), com as empresas multi-nacionais a deslocarem-se para os novos Países da União Europeia (são dez os que entrarão, oficialmente, no próximo dia 1 de Maio), com as importações a aumentarem (só com a Espanha o aumento, em 2003, foi mais de um milhão de euros) e a economia portuguesa com o síndrome do cumprimento da meta do défice (com os “truques” conhecidos), Portugal deixou de ser o País que “estava na moda”, no tempo do Professor Cavaco, para o País “adiado” actual.
É evidente que a conjuntura internacional não é favorável. Mas também, se por um lado a produtividade é inferior ao desejado, por outro lado os gestores e administradores também não são dos melhores. E, com tudo isto, o País fica mais pobre.
O P.I.B. foi negativo (- 0,8 % em 2003) e a maioria da população vive hoje pior do que vivia há dois anos. O fosso entre os ricos e pobres avoluma-se e os direitos sociais são postos em causa, tanto na função pública como no sector privado. Aliás, situação idêntica se vai verificando um pouco por toda a Europa, cujas consequências foram já visíveis na Espanha e na Grécia e, mais recentemente, em França. Mas o que constato é que, embora importantes em democracia, as mudanças de Governo não mudam o essencial: a forma de fazer política e de governar mais séria e com os princípios enunciados. Dever-se-ia governar não em função duma minoria que determina o rumo a seguir (lóbis económicos), mas em função da maioria (população activa e dependente dos postos de trabalho).
Já referi, anteriormente, que o País tem um saldo negativo na balança comercial (importa mais do que exporta). E o facto também já referido da nossa produtividade ser baixa, comparativamente com outros países com quem competimos. O que nos faz pensar, com grande preocupação, que a entrada dos novos dez Países trarão ainda mais problemas, na medida em que, nos quase dezoito anos que levamos integrados na União Europeia, não soubemos aproveitar os recursos postos à nossa disponibilidade. As previsões dos 10 novos Países da U. E. são de crescimento do P.I.B. (que vai desde +1,3% na Polónia até +6,7% na Lituânia), da diminuição do desemprego (à custa de algumas empresas multi-nacionais, que se deslocarão para esses Países para beneficiarem dos fundos estruturais, tal como fizeram em relação a Portugal em 1986) e do aumento das exportações. E não nos podemos esquecer que os novos dez Países estão situados mais perto dos nossos tradicionais importadores, como são os Países da Europa Central onde, provavelmente, serão colocados os mesmos produtos, que até aqui exportávamos, com custos inferiores, nomeadamente, em transportes.
E, neste País à beira-mar plantado, continuamos, cada vez mais, a investir, a concentrar a riqueza e a população no litoral (prevê-se em 2025 que 85% da população portuguesa esteja situada junto à costa) e nada se faz senão promessas e intenções para inverter a situação. A Agricultura foi abandonada nos Governos de Cavaco Silva e a desertificação do interior foi a consequência. 




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O POVO É A VÍTIMA ETERNA


Antes de nos lançarmos a percorrer por conta própria na realidade que apenas adivinhamos, devemos aprender a navegar, interiormente, naquilo que pensamos conhecer. Partir dum raciocínio de azul cinzento e de sombras para chegarmos à conclusão desejada com alguns clarões, não é mais do que uma receosa e humilde caminhada, a qual nos dará o sentido das distâncias necessárias percorrer e nos ensinará a compreender que, a tolerância e o respeito pelos outros, começa em nós próprios. Vítimas de todas as miragens, enganados e abalados - porque nos falta a noção de previsão - não aprendemos a distinguir os valores. Sendo assim, jamais poderemos demarcar o nosso espaço de modo a encontrarmos o fundamento seguro, para podermos erguer o padrão da nossa razão. E, se considerarmos pior o caminho dos outros, melhor será ir junto deles aconselhá-los e guiá-los, para não comprometer o futuro daquele que todos querem defender, se bem que hipocritamente, o POVO. Este, cada vez mais vai deixando de acreditar neles, nesses mesmos, nos políticos, os quais deveriam dar o exemplo de respeito pelas instituições democráticas e não fazerem da política “uma feira da ladra” ou “lavagem das mãos, como Pilatos”.
Mas nem todos são iguais e, por isso mesmo, estão afastados do protagonismo populista e “voyeurista” a que a acção política chegou. Basta por vezes olhar à nossa volta e nada custa comprovar que a excepção confirma a regra.
Para onde caminhas Pátria amada, que tão mal és tratada? Não, não é só de agora. Constato, infelizmente, que os que hoje estão na oposição, também se comportaram de modo idêntico quando iam ao leme. E os que hoje estão ao leme actuam, rigorosamente, da mesma maneira quanto aqueles que outrora criticavam. Seria bom que entendessem que “uma Nação só se realiza de frutos da terra e do mar, de escolas que preparem os seus filhos para o mundo, de conselhos que a si próprios se governem, sem mutiladoras dependências do poder central, de propriedade comunitária de liberdade partilhada e não de sofrida sujeição e, principalmente, de governos que mais fossem de coordenar do que mandar” (Agostinho da Silva).
A política, caros leitores, não é uma feira de vaidades, mas uma missão. Nem tão pouco é um espectáculo popular, mas uma manifestação de respeito. Torna-se assim importante pensar que, este momento no qual a humanidade vive, é crucial. Por isso, os políticos têm o dever e, essencialmente, a obrigação de contribuírem para o bem-estar do seu POVO sendo tolerantes, “tendo sempre presente a diferença das almas e dos hábitos, não se deixando cair no cómodo sorriso superior”. E ninguém se pode julgar como vencedor ou vencido ou, por mero acaso, possuidor da verdade.
Manuel Alberto Morujo
    Distrito de Portalegre (2003.10.14)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

POEMA DO RAUL CÓIAS DIAS


ADEUS
Sem óculos, não consigo ler nada.
Sinto que a velhice ou a morte se aproximam com passos de veludo.
E no entanto, rebenta-me a Primavera, no olhar, comovo-me com a ternura das andorinhas no beiral do telhado da minha casa, comovo-me com a miséria alheia e a minha vida, escorre-me como areia por entre os dedos...
Amo as crianças, pétalas deslumbradas no silêncio da sua graça.
E os adolescentes, reflexivos e atónitos entre o presente dos seus corpos florescendo e o futuro desconhecido, com o eco das palavras sentenciosas dos pais, no estribilho do ouvido...
E amo as mulheres, fontes de leite e vida, de seios flácidos, alimentando a espécie, numa generosidade irracional e instintiva.
E amo os corpos disformes, que com inocência vieram ao mundo...
Amo as paisagens, de qualquer estação do ano, porque a todas elas entrego resquícios da minha identidade absurda, à procura de uma luz que me pacifique interiormente.
E amo os desgraçados, porque possuem a graça de uma linguagem interior, onde a nossa é inferior, à do destino que estilhaça, por demais o seu amor.
E amo, tudo o que vi
e quanto me falta ver
tudo quanto conheci
e me falta conhecer
Amo tudo! Nada odeio!
Quero partir! Alegre e mudo
Com o coração tão cheio
De quanto vivi nesta vida
Que a morte me seja enleio
Grinalda, pérola, escudo
Mar imenso, paz vivida,
Para a Eternidade onde leio
Quem sou, quem fui, quase tudo…
Excepto a raiz donde veio a minha seiva florida…

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CORRUPÇÃO? PARECE QUE HÁ

O texto que se segue foi escrito em Setembro de 2005 
Decorreu ainda pouco tempo desde que um eminente economista do Fundo Monetário Internacional (F.M.I.) afirmou “se em Portugal não houvesse uma tão elevada taxa de corrupção, o nível de vida dos Portugueses seria idêntico ao dos Finlandeses”.
Se adicionarmos a esta declaração a recente entrevista à revista “Visão”, do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto Paulo Morais, ficamos a saber que perverter, viciar, seduzir e subornar são termos do léxico Português muito mais usados do que aquilo que imaginamos. Ou, escrito de outra forma, a CORRUPÇÃO anda por aí.
Na verdade, Paulo Morais, que é responsável pelo pelouro do Urbanismo, tem a coragem de afirmar, ainda no exercício das suas funções, que “negócios imobiliários financiam dirigentes, campanhas e partidos”. E vai mais longe ao denunciar que os pelouros do Urbanismo estarão a transformar-se nos “coveiros da democracia e os partidos nas casas mortuárias”, o que não deixa de ser motivo de grande preocupação pois mostra-nos um regime podre e com promiscuidades preocupantes.
Mas a afirmação mais objectiva, elucidativa e surpreendente de Paulo Morais é que “o Urbanismo é, na maioria das Câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptíiciamente de transferir bens públicos para a mão de privados”.
Vindo de quem vem esta frase, não deixa de ser elucidativo que há mesmo corrupção no País e que ex - Primeiros – Ministros como Cavaco Silva, António Guterres e Durão Barroso não criaram todos os mecanismos para evitar que esta “praga” se desenvolvesse.
Naturalmente que as afirmações referidas, em plena campanha eleitoral autárquica, levarão os cidadãos a pensar se a “doença” estará espalhada pelo território nacional ou se, por outro lado, está concentrada só nas grandes urbes. Todavia, a ponta do véu está levantada. Agora, deverão ser accionados os mecanismos para a execução de uma política nacional anti – corrupção, centrada na prevenção e inspecção por parte do Governo e na averiguação e obtenção de provas por parte do Ministério Público. O Povo Português deverá estar atento e não poderá permitir que as assimetrias, entre os que dependem dos empregos (os eternos sacrificados) e os outros que usam os poderes públicos, se acentuem. Temos tido alguns exemplos em que a justiça tem sido imparável quando encontra provas, como no caso recente da Brigada de Trânsito e no caso conhecido como “as facturas falsas”. Se existe promiscuidade entre as diversas forças políticas, dirigentes, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais, como afirmou Paulo Morais, urge pôr cobro, o mais rapidamente, a esse estado de coisas para que o regime não seja posto em causa. Os vestígios do corporativismo ainda são evidentes e, se não forem atacados, continuarão a arruinar o País. Por isso, o Governo não deverá ceder a interesses e movimentações que possam pôr em causa o regime democrático, sob pena de voltarmos a ser um país adiado e sem futuro.
(Manuel Alberto Morujo) 

O vídeo que se segue foi divulgado em Junho de 2012


(Paulo Morais)

VÍDEOS DE LINO DIAS NA RTP1 E TVI

Divulgo, com orgulho e satisfação, duas reportagens que passaram na TVI e RTP1 cujo protagonista é o Lino Miguel Dias.
Na TVI, no passado dia 9:
Ver link entre os minutos 24,39 e 29,30:

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

LINO MIGUEL DIAS NA ANTENA 1

No passado dia 6 o Lino Miguel Dias, o tal a quem o Professor Marcelo omitiu o nome, concedeu uma interessante entrevista à Antena 1 no programa intitulado PORTUGUESES NO MUNDO.
Amanhã, dia 9 de Novembro, serão transmitidas reportagens na RTP1 e TVI, durante os respectivos jornais da noite.
É interessante como este prestigiado Portalegrense explica como chegou à Bayer, assim como não deixa de focar, uma vez mais, as boleimas de Portalegre.
http://www.rtp.pt/play/p518/e98060/portugueses-no-mundo

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

BOLEIMAS DE PORTALEGRE PARA A SRª MERKEL


Na entrevista publicada pelo Expresso no passado fim-de-semana, o "HOMEM" mais eficiente da Bayer, de seu nome Lino Miguel Dias, sugere que se ofereça à Srª Merkel "as boas boleimas de Portalegre". 
Pois bem, não sei qual será a opinião dos Portugueses mas, seguindo a sua sugestão - e porque não está cá para lhas oferecer -aqui está a bela boleima e língua de sogra da nossa cidade de Portalegre.
Bom apetite.

O TRABALHADOR MAIS EFICIENTE DA BAYER... SEM NOME


O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário de ontem no Jornal das 8 da TVI, terminou a sua intervenção referindo que é "Português o trabalhador mais eficiente da Bayer...". 
No entanto, fiquei desagradado pelo facto de se ter referido a esse Português usando a expressão "o Homem", omitindo o seu nome, LINO MIGUEL DIAS. Com todo o respeito para com o Sr. Professor, sapiente nas suas análises, parecia que estava a dar uma notícia do "vendedor de castanhas" em qualquer rua de Linda-a-Velha.
Por isso, e de imediato, manifestei a minha falta de agrado em telefonema que efectuei para a TVI, solicitando que, na próxima oportunidade, seja corrija tamanha omissão.
Feita esta nota, gostaria de dar conhecimento que amanhã, dia 6 de Novembro pelas 07h15 e 09h45, passará na Antena 1 uma entrevista ao Lino Miguel e na RTP, após o Telejornal na próxima sexta-feira,  irá para o ar uma reportagem com este prestigiado Portalegrense.




quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS RUINOSAS

Foi hoje tornada pública a notícia de que o FMI concluiu, na apresentação do relatório da quinta revisão do memorando com Portugal, que "são precisos mais esforços adicionais para consolidar as contas e impulsionar o crescimento".
Apesar de ainda nem tão pouco ter sido discutido o OGE/2013, já se estão a adivinhar mais sacrifícios para os Portugueses. Até quando, é a pergunta que se coloca e que não terá qualquer resposta sustentável...porque ninguém sabe.
Todavia, não foi por falta de alertas, nomeadamente do Professor Medina Carreira e, principalmente do Dr. José Gomes Ferreira, que com bastante acuidade e assiduidade denunciaram o que poderia acontecer neste rectângulo  virado para o Atlântico.
Por isso, parece-me oportuno rever a peça que passou na SIC em 31 de Maio do corrente ano, sobre as PPP (Parcerias Públicas – Privadas), cujo autor, Gomes Ferreira, informa, preto no branco, o que se passou e qual o resultado desta gestão ruinosa que encaminhou o País e a enorme maioria dos Portugueses para o ponto onde nos encontramos. 





segunda-feira, 22 de outubro de 2012

É PORTALEGRENSE O TRABALHADOR MAIS EFICIENTE DA BAYER

BRAVO LINO MIGUEL, PARABÉNS
Quase a completar 41 anos, o Portalegrense Lino Miguel Dias foi considerado o trabalhador mais eficiente de entre os 111.799 funcionários da gigante alemã Bayer, tendo-lhe sido atribuído, por isso, o Prémio Bayer LIFE Award 2012.
Licenciado e Doutorado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, é casado com a Mafalda (possuidora de idêntica formação académica), pai de quatro filhas (a Filipa ainda não tem um mês) e está na Bayer há quase 11 anos, para onde foi na expectativa de por lá ficar três ou quatro anos, pelo menos, para "aprender alguma coisa", onde ocupa, actualmente, a posição de Global Product Manager na sede da Bayer CropScience.
Para o responsável da Bayer, Marijn Dekkers, o Lino Dias "demonstrou verdadeiramente o significado da eficiência: gerir recursos de forma inteligente, focar-se em actividades que criam valor e acelerar boas tomadas de decisão".
O nosso conterrâneo, que tem passado por distintas áreas na Bayer, fala fluentemente seis idiomas e por isso viaja por todo o Mundo participando em vários projectos na Europa, no Brasil e na Região Ásia-Pacífico.
Para quem o conhece desde os tempos de infância, não é de estranhar que tenha chegado tão alto na sua carreira profissional, apesar de ainda novo.
Amigo de infância do meu filho Ricardo, e Padrinho de baptizo do meu filho Nuno, é com extrema emoção, satisfação e orgulho que constato que o Lino foi distinguido como o melhor de entre os seus pares.
Para a Mafalda, Arminda e Cláudia os meus parabéns, assim como uma nota de recordação para o Pai, Vitório, que teria o maior dos orgulho em ter podido viver este acontecimento.
E, já agora, espero que o Srº Presidente da República, assim como a Srª Presidenta da Câmara de Portalegre se lembrem de, nos próximos dias 10 de Junho e 23 de Maio, respectivamente, lhe atribuir as condecorações que este Portalegrense, e Português, merece.   
Manuel Alberto Morujo
NOTA: A fonte de informação, para a elaboração do texto, foi o artigo da Jornalista Mafalda de Avelar publicado no Diário Económico do dia 22 de Outubro de 2012.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O QUE NOS FEZ CHEGAR AQUI, À CRISE?

Por falta de um cravo, perde-se a ferradura;
Por falta de uma ferradura, perde-se o cavalo;
Por falta de um cavalo, perde-se o cavaleiro;
Por falta de um cavaleiro, perde-se a batalha;
Por falta de uma vitória, perde-se o reino e, tudo isto,
Por causa de um simples cravo.
Benjamim Franklin (1706-1790)

Quiçá estejamos todos a viver um dos períodos mais conturbados da nossa História, o pior na opinião de muitos.
Quando há 38 anos a Revolução dos Cravos nos criou expectativas de uma vida melhor, a inversão da tendência da inclinação do território para o litoral com a já, apesar de ténue, desertificação do interior, a diminuição do enorme fosso entre ricos e muito ricos (poucos apesar de tudo) e pobres (muitíssimos), de nos podermos aproximar dos países desenvolvidos da Europa duma forma progressiva, mas com consistência…“béu-béu-béu pardais ao ninho”, muitos de nós, a maioria certamente, estaria longe de imaginar que o novo século nos iria fazer cair no “Mundo das Trevas”, no abismo sem fundo à vista, desiludidos, com receio do futuro e a começar a fazer lembrar o pós Guerra do racionamento, das doenças, das epidemias.
Cenário pessimista e confrangedor, horroroso e calamitoso, próprio de “Os Velhos do Restelo”, pensarão alguns dos que me lêem. Mas, se meditarmos um pouco, a realidade actual está mais tendendo para o que escrevo, do que para outro caminho.
Muito se tem escrito, se escreve e se continuará a escrever sobre o tema “O que nos fez chegar aqui, à CRISE”, considerando este (ou estes) e aquele (ou aqueles) os grandes culpados – sim, pois há culpados - por termos chegado a este abismo sem fundo à vista, repito.
Na verdade, o edifício da esperança prometido em 25 de Abril foi mal supervisionado pelos “engenheiros” pois utilizaram cal, em vez de cimento, e argila, em vez de tijolos. Desde logo, nos alicerces colocaram arames, em vez de ferro e o tempo, as intempéries, acabaram por fazer ruir o edifício que tão bem tinha sido arquitectado.
Culpados, repito, há muitos. Mas, em meu entender, há um mais do que todos os outros pois governou (?) em “tempo de vacas gordas”, durante dez anos. E já lá vão mais quase sete anos em Belém.
Poderia trazer aqui um sem número de exemplos daquilo que entendo, como cidadão no pleno gozo dos direitos civis e políticos, foi causador, em grande parte, do que hoje estamos a viver.
Vejamos um exemplo:
Em Novembro de 1986 foi criada a Comissão para o Estudo do Sistema Retributivo da Função Pública a qual tinha como principal objectivo “elaborar um Livro Branco sobre os Regimes Remuneratórios praticados na Administração Pública, Central e Local. 
Presidida pelo Prof. António Sousa Franco, integrava ainda os Drs. Nascimento Rodrigues, Isabel Corte Real, Manuela Ferreira Leite e Roberto Carneiro, de entre outros, esta Comissão iniciou funções em 15 de Janeiro de 1987 e, seis meses depois, em 15 de Julho de 1987 entregou o Relatório Sobre o Sistema Retributivo da Função Pública que documentava muito bem o que se praticava em termos de remunerações quer fixas, quer acessórias e suplementos, assim como o número de funcionários que se cifravam em 468.625 no activo (389.191 na Administração Central e 79.434 na Administração Local), para além de 140.000 pensionistas da CGA.
O que veio a seguir, até finais de 1996 pelo menos, foi viver à grande com os dinheiros vindo do exterior. O país era um “oásis”, um exemplo de modernidade com a construção de estradas, viadutos, Universidades e Institutos Politécnicos, edifícios, de raiz para as Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, Empresas de Formação para ”armazenarem” grande pecúlio, empresas estrangeiras a instalarem-se com dinheiros dos fundos comunitários, criação das cinco CCDR (Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional, Institutos Públicos e Comissões de Acompanhamento e de Estudo, a “torto e a direito” para servir “clientelas” e, o mais grave de tudo, a destruição da Agricultura e das Pescas.
No referente à Administração Pública, os funcionários aumentaram para os quase 700.000, em finais de 1995, e os pensionistas da CGA, para os mais de 270.000.
Mas, apesar do texto ir longo, não posso deixar de referir que, após o Relatório a que anteriormente fiz referência, passaram a ser como “bandos de aves” os Regimes Especiais. Recordo-me de na altura, quando desempenhava funções de responsável pelos Recursos Humanos na ARSP (Administração Regional de Saúde de Portalegre), de só aqui serem OITO.
A saber:
- Pessoal Dirigente (em 3 anos tiveram aumentos a rondar os 100%);
- Médicos;
- Enfermeiros;
- Técnicos Superiores;
- Técnicos Superiores de Saúde:
- Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica;
- Técnicos Sanitários;
- Serviço Social.
E, já agora, não gostaria de terminar sem perguntar: Que culpa teve a grande maioria dos Portugueses que agora tem de pagar as asneiras daqueles que contribuíram para uns poucos se “amanharem”? Que raio de justiça é esta que não incrimina quem tanto mal fez ao País e à maioria dos Portugueses?  



óócrate







quarta-feira, 19 de setembro de 2012

OS BURACOS


“Para que resulte o possível, deve ser tentado o impossível”
(Herman Hesse)

Um dia destes dei comigo a pensar na quantidade de BURACOS que, de uma forma ou de outra, comungam connosco no dia-a-dia. Sem dúvida que o mais preocupante de todos é o BURACO do ozono devido à influência directa que tem na vida dos habitantes do terceiro calhau do Sistema Solar. O seu efeito constata-se no aumento da temperatura em todo o planeta o que consequentemente leva ao degelo dos glaciares, à transformação destes em icebergs e estes reflectem-se no aumento do volume das águas dos oceanos, os quais invadem as costas provocando grandes BURACOS na orla marítima. Também o ciclo das estações anuais sofrem esses efeitos, com a descaracterização constante do seu percurso e influência na vida do planeta, seja de origem animal, da fauna ou da flora. Portugal, como não podia deixar de ser, também vai sofrendo os efeitos de tais fenómenos da natureza. A seca, que temos vindo a sofrer, é um dos resultados mais prejudiciais e que mais não é do que a existência dum BURACO que a humanidade tarda em acabar, dando cumprimento ao protocolo de Quioto.
Mas, infelizmente, não ficamos por aqui em matéria de BURACOS neste país à beira – mar plantado. A grande maioria dos Portugueses sobrevive entre BURACOS. Eles são os BURACOS do desenvolvimento, mais no litoral do que “no Portugal profundo”, na construção de estradas, viadutos, túneis, urbanizações e de uma coisa moderna a que, os tecnocratas e políticos, da nossa praça, chamam de METRO DE SUPERFÍCIE. Sempre pensei que os METROS se deslocavam em BURACOS. Mas não. As “modernices”, para evitarem os BURACOS, passam a fazê-los deslocar como se de um qualquer comboio se tratasse. Curiosamente, os Portalegrenses, no que a comboios diz respeito, têm um enorme BURACO de acessibilidade.
Mas há mais. Em matéria de BURACOS, Portugal é dos melhores da Europa.
É o BURACO do défice orçamental, que se situa em relação a 2004 entre os 2,9% e os quase 5% - dependendo se o BURACO for observado por “olhos laranja ou olhos rosa”;
o BURACO da R.T.P., a que os Portugueses pouco ligam a não ser que haja um “joguito de futebol”, pois para a “pimbalhice” há outros canais;
o BURACO nas empresas públicas, os quais podem ser observados no METROPOLITANO de Lisboa (agora também temos o do Porto, sem BURACOS – o tal de superfície), da REFER, da CARRIS e da TAP. Todas estas empresas não deixam de aumentar os BURACOS para que as famílias dos funcionários possam, alegremente, viajar por conta do BURACO orçamental;
o BURACO nas empresas que criam enormes BURACOS nas bolsas dos seus trabalhadores, os quais também vão, aqui e ali ajudando para que a produtividade, em Portugal, seja a mais baixa da União Europeia;
o BURACO em que os sucessivos Governos, das últimas duas décadas, meteram os Bacharéis e Licenciados (ao que parece mais de 40.000) que não arranjam colocação para desempenharem as funções para que se prepararam, durante a sua vida escolar;
o BURACO que o presente texto contém, onde cabem todas as preocupações dos Portugueses, que continuam cépticos em relação ao futuro.
Quem não evita as pequenas faltas, pouco a pouco cai nas grandes. Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita fadiga e muitos intervalos de desalento. Por isso mesmo o êxito nunca é uma dádiva mas sim uma conquista. Por favor, senhores Governantes ACABEM COM OS BURACOS pois, se não o fizerem, PORTUGAL NÃO TERÁ UM FUTURO AGRADÁVEL.
Manuel Alberto Morujo
(23 de março de 2005)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CONJUGUE INFIEL

13 de Setembro de 2012. O Primeiro-Ministro de Portugal, Passos Coelho, é entrevistado em directo na RTP1. 
Na actualidade, as novas tecnologias permitem-nos, apesar da distância, que possamos estar junto dos amigos. Assim aconteceu neste dia pois pude ir comentando com o Amigo Rui a entrevista, passo a passo.
21h42, comentei:
- Já entalou o Paulo Portas. Deste o golpe final. O gajo não te vai perdoar. Mais dia, menos dia, dá-te a "canelada". Faz as malas e vai cantar para São Carlos.
Afinal, antevi, no momento certo, o que se iria passar e...se está a passar.
Pedro Passos Coelho não foi para São Carlos, ainda, mas Paulo Portas, no seguimento do que fez com Durão Barroso, Santana Lopes e, anteriormente com Marcelo Rebelo de Sousa - já para não referir o que escreveu sobre Cavaco Silva quando era Director do Independente - provou que não é "conjugue" de confiança pois, ao primeiro amuo, torna-se infiel.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

BOLO TROIKA

Dizem-me que é tão "saboroso" como o "PASTEL QUE ESTÁ EM BELÉM".
Para fazer qualquer bolo é necessário, primeiramente, reunir os ingredientes. Este não foge à regra. Vamos a isto que se faz tarde e antes que o PPC venha infernizar-nos ainda mais:
Num recipiente rectangular
colocam-se 11% de descontos dos trabalhadores para a Segurança Social, 30,7% de descontos dos trabalhadores independentes e, depois de bem batidos pela corja que nos des(governa), adiciona-se, pouco a pouco, 3,5% a 10% de descontos das pensões acima dos 1.500€.
Para completar esta "DELÍCIA", e de modo a ficar mais saboroso para os AGIOTAS que nos têm vindo a "MATAR AOS POUCOS", vamos ROUBAR a todos os Aposentados da Função Pública os 13º e 14º meses de modo a que estes não tenham a ousadia de viver "principescamente" e de auxiliarem os filhos e netos que não têm emprego.
Finalmente, e após estar tudo envolvido,  leva-se a cozer em forno bem quente e assim temos o Bolo preparado para levar aos "TROIKA'S SHITS", servido pelo...

EMPREGADO DE SERVIÇO