domingo, 12 de fevereiro de 2012

UM DIA NA VIDA DE UM PORTUGUÊS, NUMA GRANDE URBE


Bem cedo acordou, como ha­bitualmente, gemendo e prague­jando por ser mais um dia de trabalho. Enquanto ouvia um barulho familiar que vinha do resto da casa, onde a mulher num corrupio ralhava com os miú­dos para que se apressassem e, ao mesmo tempo, lhes preparava o lan­che, foi-se lavar e vestir, repetin­do os gestos diários. Olhando-se ao espelho, via um parvo a olhar para ele a perder a juventude confirmada pelos poucos cabelos grisalhos que teimavam em aparecer.

Passado algum tempo, saiu de casa com a mulher e os filhos a reboque. E logo perdeu a paciência porque um dos elevadores estava avariado e o outro tardava em chegar. Finalmente, exclamou. Lá entraram no carro e a mulher, uma vez mais, disse-lhe que o carro estava indecente e como foi possível deixá-lo chegar àquele estado. Ele, nem lhe respondeu.


Chegados à escola, ali deixou os filhos. De seguida, abriu o rádio que começava a dar as notíci­as. Ficou ainda mais maldisposto pois a temática do noticiário era sobre a crescen­te poluição, a seca, a fome, a SIDA, a violência doméstica e as guerras. O trânsito emperrava e logo culpou o Governo por não resolver aquele cancro, apesar de ser do partido em que votara. Afi­nal são todos iguais, disse para a mulher. O que eles querem é po­leiro e depois estão-se borrifan­do para os contribuintes honestos, acrescentou. Pois, porque sendo empregado e não podendo fu­gir aos impostos, via os ricos ainda gozarem com os tansos como ele.

Minutos depois, deixou a mulher no empre­go e, um pouco mais à frente, parou o carro. Apressadamente, chegou ao seu local de trabalho. Como sempre, e após mais de duas ho­ras de ter acordado, ouviu mais uma reprimenda do chefe, que aguardava já a sua chegada. Ansiosamen­te, desculpou-se, uma vez mais, com o trânsito caótico com que todos os dias tinha de lidar.

Durante toda a manhã o te­lefone tocou e, já quase à hora de almoço, ainda não tinha entregado ao chefe o que este lhe pedira. Aproveitou a saída dos colegas, e da telefonista, para completar o trabalho. Este, concluído, deixou-o na secretária do chefe e saiu  para a rua cheio de fome, em direcção a uma tasca onde almo­çava, habitualmente, e que já es­tava cheia àquela hora. Por isso, teve de comer de pé uma sopa e uma sandes de paio ou lá o que era aquilo.

O resto do dia foi, como nor­malmente, muito atarefado. Quando deixou o local de trabalho já a noite se avizinhava e iniciou o circuito inverso, depois de apa­nhar a mulher e os filhos. A hora de jantar, tardia como sempre, serviu para que os filhos, cansa­dos e agitados, discordassem do "menu". Foi preciso pôr ordem na mesa, com a mãe a dizer que não se pode comer só bifes, hambúrgueres ou pizas.

De seguida sentou-se no sofá com o jornal que tinha com­prado ao almoço, enquanto a mulher arrumava a cozinha e os filhos estavam no quarto agar­rados à consola de jogos. Final­mente, os dois viam a televisão em sossego, até porque os miú­dos, cheios de sono, não tarda­ram a meter-se na cama. Mas foi por pouco tempo pois a noite já ia avançada. E e o amanhã era outro dia. Cansado, e com sono, foi-se deitar. E SONHOU, SONHOU UMA VEZ MAIS QUE:

A demagogia, as promessas impossíveis e a má fé tinham sido banidas da publicida­de, libertando as pessoas da pressão esmagadora e aniquiladora das vontades e das consci­ências;

Os meios de comunicação social, em especi­al as televisões, tinham tomado consciência do seu papel de informa­dores, e de formadores, das socieda­des e que passavam a nortear a sua actuação por critérios de qualidade e de utilidade, em vez da lógica das audiências que ni­velam por baixo;

A todos os tra­balhadores tinham sido propor­cionadas condições de higiene, segurança e saúde nos seus lo­cais de trabalho e que os servi­ços públicos passariam a cum­prir a sua função;

O tão propala­do desenvolvimento e progresso era uma realidade, com um ver­dadeiro ordenamento do territó­rio que impedisse as assimetrias regionais, o crescimento desme­dido das cidades e a desertificação dos campos;

Era possível andar mais devagar, às ordens da vida, respeitando os ritmos biológicos do universo, ter tem­po... para ter tempo;

SONHOU, e continuou a SONHAR, pois a realidade a que aspira só é possível concretizá-la em...SONHOS. Até quando…


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

1966 - PR E ESTUDANTES DE PORTALEGRE

DEIXO À VOSSA CONSIDERAÇÃO A IDENTIFICAÇÃO DOS FOTOGRAFADOS, PARA ALÉM DOS DOIS "FIGURÕES" DO ANTERIOR REGIME, AMÉRICO TOMÁS E SILVA PAIS (DIRECTOR DA PIDE). 
COMO ÉRAMOS USADOS, PARA CONSUMO INTERNO! POIS, PORQUE ESTA FOTO, COMO OUTRAS, FOI PUBLICADA NAS PRIMEIRAS PÁGINAS DOS JORNAIS DA ÉPOCA.
        
SOUSEL - 18 DE MAIO DE 1966

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

BIG BROTHER À PORTUGUESA

Segundo notícia hoje avançada pelo Correio da Manhã, "os pagamentos com cartão de débito e de crédito vão ser controlados pelas Finanças. O objectivo é reforçar o combate à fraude e à evasão fiscal".
Já há um ano atrás, também veio a público a ideia do Governo fazer constar, no Cartão de Cidadão, a profissão, com a intenção de se poder saber quem é Funcionário Público, Médico, Bombeiro, Engenheiro ou Jornalista e que actos profissionais pratica.
Num País em que existem:
milhares de hectares de terras para cultivo abandonadas;
milhares de quilómetros de auto-estradas desertas; 
milhares de milhas marítimas para pesca ainda sem exploração;
minas de ouro e outros metais para exploração;
dois estaleiros navais fechados;
uma siderurgia e várias unidades fabris desactivadas;
vários estádios de futebol sem inquilinos (público) e
um exército de desempregados, muitos dos quais com um futuro incerto, até para se alimentarem, 
seria possível também identificar quem: 
enriqueceu indevidamente?
corrompeu e foi corrompido?
influencia e é influenciado?
tem cartão de crédito, pago pelo erário público, para utilizar com amigos e amigas? 
vive abaixo do limiar da pobreza ou na solidão? 
Já agora, e de modo a obter mais receitas fiscais, porque não taxar as vezes que se vai à casa de banho e lavar os dentes por dia? 
E, no limiar das circunstâncias, porque não criar um sistema para controlar e taxar as "quecas" que os Portugueses dão?
Creio que nem George Orwell foi tão longe ao escrever o Big Brother.  


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POBRE CIDADÃO CAVACO SILVA


QUEM ME DERA TER DINHEIRO PARA... COMPRAR AQUELE BOLO-REI

O cidadão Aníbal Cavaco Silva e a cidadã Maria Cavaco Silva declararam quase um milhão de euros de rendimentos, em 2010, em declaração entregue no Tribunal Constitucional.

http://ptjornal.com/201201244996/economia/cavaco-silva-declarou-quase-um-milhao-de-euros-de-rendimentos-em-2010.html




segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MAIS UM POEMA DO CÓIAS


O Amigo e companheiro de tertúlias musicais, António Bagorro, fez-me chegar mais um poema do Amigo comum, Raul Cóias Dias. Não deixa de ser impressionante, conforme escreveu o António, "o presságio da morte que acompanhou o Raul, durante os últimos anos".
Acrescentarei que este poema, tal como outros, merecerá por parte do António Bagorro um tratamento musical a apresentar, quiçá, numa homenagem que poderá e deverá ser levada a cabo no 1º Aniversário da sua partida...física.
Por mim, acrescentarei que Poetas a usarem as palavras com esta mestria (e sobre este tema) só conheço dois: José Duro e José Régio. Que me desculpem os outros, tantos e tantos de tão elevada qualidade. Mas, os dois que referi, conheço-os mais profundamente, que outro qualquer. Talvez por terem, como o Raul, muita afinidade à minha Cidade de Portalegre.
Todavia, não terminarei sem te afirmar, Raul: pelo menos eu e o Bagorro fomos, e continuaremos a ser, teus Amigos e...não te esqueceremos.

QUANDO O POETA MORREU

O poeta, de cansado morreu há pouco coitado.
No tédio da consciência, vulcão em carne viva,
tinha ao rubro a resistência do coração em ogiva.
E a espera maldita
a palavra sempre esquiva....
Era a solidão infinita,
à beira do útero informe,
onde o verso tosco habita...
E aquele silêncio, enorme,
da sua vida parada
assim entre tudo e nada.....
Morreu há pouco coitado, sem amigos, sem dinheiro,
um leve sorriso vago, de ironia, meio magoado,
e olhar firme e inteiro,
como se num gesto sereno fechasse, enfim, o tinteiro,
e vendo o cigarro pequeno, o esmagasse no cinzeiro.
Raul Cóias Dias


domingo, 29 de janeiro de 2012

O "CÂNDIDO" LELLO


Se ainda não viu, veja a inocência deste "figurão". Não sabia que tinha de declarar uma conta bancária, de que é titular com a sua mulher, ao Tribunal Constitucional.
A desculpa é exactamente idêntica à daquela criança que apanhou uma "diarreia" por ter comido meia dúzia de pastéis de nata e... não sabia que só poderia ter comido cinco.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

SERÁ QUE ESTAMOS COMO NOS ANOS CINQUENTA E SESSENTA?

Em 23 de Maio de 1963 o Presidente da República, Alm. Américo Thomaz, visitou a cidade de Portalegre. 
Recordo-me de ter sido solicitado, a um grupo de estudantes do Liceu Nacional de Portalegre, que lhe fosse prestada uma homenagem a qual consistiu na entrega de uma capa do traje de estudante.
E porquê trazer esta foto a público, perguntarão os meus amigos...e inimigos?
A resposta é simples: naquela data eu era, assim como a maioria dos jovens, um dos inocentes a quem ensinavam que a vida se exprimia na seguinte trilogia:
DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA
MANUEL MORUJO,  D.GERTRUDES THOMAZ  E  ALM. AMÉRICO THOMAZ

Hoje, infelizmente, DEUS esquece-se de expulsar os vendilhões do Templo, como fez JESUS CRISTO, a PÁTRIA é apenas uma metáfora, pois somos governados(?) pelos donos do dinheiro e a FAMÍLIA só se for a dos políticos que, ao longo de quase trinta e oito anos, levaram este País, à beira-mar plantado, à MISÉRIA, à PEDINCHA e à CALAMIDADE.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

UMA TAPEÇARIA DO DR. JOÃO TAVARES


HOMENAGEM AO PROFESSOR E AMIGO DR. JOÃO TAVARES 

MANUEL MORUJO E AUGUSTO TAVARES
(JUNHO DE 1985) 
A FESTA DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE, REALIZADA EM JUNHO DE 1985, TEVE COMO PRÓLOGO UMA EXPOSIÇÃO DE TAPEÇARIAS E QUADROS DA AUTORIA DO DR. JOÃO TAVARES, NO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO.

DUALIDADE DE CRITÉRIOS NO BARÇA-REAL

O meu clube é o SPORT LISBOA E BENFICA. A segunda equipa, de que mais gosto, é do Real Madrid. Como milhões de pessoas, assisti ontem a uma das melhores partidas de futebol dos últimos tempos.
Tenho para mim que, independentemente dos erros cometidos pelos Treinadores e Jogadores, também os árbitros raramente sairão imaculados dos jogos. A perspectiva dos lances, ao nível do terreno, é diferente daquela de quem está na bancada...ou a ver pela TV.
Todavia, há coisas que, por mais que me justifiquem, não são aceitáveis. Poderá haver dualidade de critérios de partida para partida. Aceito. Mas no mesmo jogo, bom, isso "cheira-me a qualquer coisa que não quero dizer". 

ACTUAÇÃO DO ÁRBITRO DO ENCONTRO, TEIXEIRA VITIENES, HÁ UNS MESES ATRÁS 

                                                            
O MESMO ÁRBITRO ONTEM PROCEDEU ASSIM:

1ª PARTE: 1 minuto de prolongamento.
Aos 44segundos do prolongamento, é assinalada falta contra o Real Madrid, da marcação da qual resultou o 2º golo do Barça.
O LIVRE FOI MARCADO AOS 2,23 MINUTOS DO PROLONGAMENTO

2ª PARTE: 3 minutos de prolongamento.
No 1,16 minuto do prolongamento falta contra o Real Madrid. O livre só é marcado aos 2,18 minutos.
No minuto 2,52 falta contra o Barcelona. 
NO MINUTO 3,03, O ÁRBITRO APITA PARA O FINAL DA PARTIDA, SEM AUTORIZAR A MARCAÇÃO DO LIVRE. 

Este episódio fez-me recordar os anos oitenta, quando situações idênticas aconteciam nos Campos de Futebol, em Portugal.
  

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

1961 - EQUIPA DE VOLEIBOL DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE

EQUIPA DE VOLEIBOL DE VANGUARDISTAS-A DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE, DO ANO LECTIVO DE 1960/1961 

Da esq. para a dir:
Em baixo: JOÃO M. RAMALHO, FRANCISCO SARDINHA, ANTÓNIO CALDEIRA E MANUEL A. MORUJO
Em cima: FRANCISCO A.S.MADEIRA (GIGA), ANGELINO, PROF LOPES, JOSÉ MARIA (PEIXE) E FERNANDO M. FIGUEIREDO.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

1963-TUNA ACADÉMICA DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE

AUDITÓRIO DO SEMINÁRIO MAIOR DE PORTALEGRE
FEVEREIRO 1963
Da esq. para a dir:
DE PÉ: JOSÉ PINHEIRO, FRANCISCO SARDINHA, JAIME AZEDO, ANTÓNIO RODRIGUES, ANTÓNIO ADÉLIO (TODÉ) e MANUEL ALBERTO MORUJO 
SENTADOS: MARIA FERNANDA, RITA MARMELO, ANA REDONDO, ELISETE, MANUEL SOEIRO E ANTÓNIO BARRADAS

ENTRETANTO, PASSARAM 24 ANOS

FEVEREIRO DE 1988
Da esq. para a dir: JOSÉ MANUEL BARRADAS, MANUEL ALBERTO MORUJO, DR. MANUEL BUGALHO E ENG. JOSÉ LUÍS BACHAREL

sábado, 21 de janeiro de 2012

PORTALEGRE EM 1973

VISTA PARCIAL DE PORTALEGRE, EM NOVEMBRO DE 1973

Foto obtida a partir das instalações do meu local de trabalho, actuais instalações do Ministério do Trabalho, na Avª Pio XII.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

UM POEMA DO RAUL CÓIAS DIAS

Dois meses passaram e o Raul não pode ser esquecido. Mais um poema dele para ser lido pelos amigos...e não só.

Que cada poema meu se abra em luz,
No coração faminto, em solidão,
E que doce como o sorriso de Jesus,
Rebente em pétalas de sabor a pão.


Que cada poema meu acenda um círio,
No coração que gela em escuridão
E que doce como bálsamo martírio
Rebente em pétalas de calor irmão.


Que cada poema meu seja um farol,
No mar revolto da nossa condição
E que na noite brilhe como a luz do sol.


Que a luz divina se revele,
Nas palavras toscas que aqui vão
E como o sangue sob a minha pele
Corra alegremente em cada coração!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

PORTALEGRE, ANTES E DEPOIS

JARDIM PÚBLICO... DA CIDADE DE PORTALEGRE
 OUTRORA FUI ASSIM
TINHA ORGULHO NO CORETO E NA CASCATA. ACABARAM COM ELA, EM MEADOS DOS ANOS SESSENTA.

MUITAS, MUITAS DÉCADAS DEPOIS

JARDIM DA CIDADE DE PORTALEGRE...SEM PÚBLICO.
HOJE SOU ASSIM
VÁ LÁ QUE NÃO ACABARAM COM O CORETO. MAS PASSEM POR CÁ E VEJAM O ESTADO EM QUE ELE ESTÁ. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O ROSSIO, EM PORTALEGRE, ONTEM...E HOJE



Década de sessenta,em Portalegre. O "Plátano" era um local de encontros gastronómicos, de grandes negócios e de bom convívio no "snack". Uma parte importante da economia local, e regional, era aqui tratada, e celebrada, à volta de um belo repasto - quase sempre sobre a orientação da D. Maria Helena e com a simpatia do Sr. José Henriques que circulava por todo o espaço cumprimentando os presentes. 




Também o Café Facha fazia parte dos "centros empresariais" de Portalegre. Tal como no Café Luso, ali ao lado, nas quartas-feiras e, principalmente nos sábados, as mesas estavam a abarrotar de gente, vinda de muitos lados, para efectuaram os seus negócios, nomeadamente na área da agricultura e seus congéneres.




E ali, debaixo da centenária árvore do Plátano movimentavam-se "contos de réis" com a mesma simplicidade com que se puxava de um cigarro ou se lia a carta de um amigo que estava na "guerra" além-mar.




2016. Depois de vários anos ali ter estado instalado um Banco, o local continua a ser frequentado pela população local, e da região (incluindo Espanha), onde se realizam grandes negociatas...à chinesa.





FESTA DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE

GRUPO DE SERENATAS COMPOSTO POR ANTIGOS ALUNOS DO LICEU NACIONAL DE PORTALEGRE, EM JUNHO DE 1985, NAS ESCADARIAS DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO.

FADISTA: JOMINHO
GUITARRAS: ANTÓNIO EUSTÁQUIO E VICTOR SANTOS
VIOLAS: RAIMUNDO E MANUEL MORUJO

NA FOTO PODE VER-SE AINDA O AMADEU PRATAS, O FERNANDO SILVA E O JOÃO MIGUENS (JOHN) 



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

RECORDAR O FIGUEIREDO E O ZÉ MARIA (PEIXE)

Por mero acaso, encontrei algumas fotos antigas. Algumas, irei partilhar com os meus Amigos, no seguimento do que aqui já fiz em relação a outras.
Hoje, quero prestar a minha homenagem a estes dois Amigos com os quais partilhei grandes momentos desportivos nas equipas de Futebol, Andebol e Voleibol do Liceu Nacional de Portalegre e de Futebol no Sport Club Estrela. São eles o FERNANDO MANUEL FIGUEIREDO E O JOSÉ MARIA NABAIS DURÃO CARDOSO (PEIXE).

FERNANDO FIGUEIREDO E ZÉ MARIA (PEIXE)

Com o Fernando Figueiredo ainda partilhei outra actividade: tocámos juntos, durante algum tempo, no Conjunto Académico Os Atlas.
Recordo-os com imensa saudade. Efectivamente, se o  Zé Maria nos deixou, prematuramente, há cerca de trinta anos, o Figueiredo, ainda está entre nós, contrariamente a muitas informações que me foram chegando. Todavia, mantêm-se incomunicável e afastado da vida social. Quanto gostaríamos de o ter tido nos convívios d' Os Atlas. Mas as nossas diligências, para o conseguir, foram infrutíferas. 



















quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

É SÓ O JOSÉ SÓCRATES? CADÉ OS OUTROS?

Acabo de ter conhecimento de que mais de trinta mil cidadãos já assinaram uma Petição Pública que apela ao julgamento do ex-Primeiro-Ministro, José Sócrates, por gestão danosa de dinheiros públicos. Independentemente de concordar ou não com esta iniciativa, entendo que há alguma demagogia pela simplicidade com que a questão é colocada.
Como é sabido, são quatro os órgãos de soberania Portuguesa: O Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais.
Estes últimos, independentes do poder político, têm competência para "administrar a justiça em nome do Povo". Já o Governo, liderado pelo Primeiro- Ministro, é nomeado pelo Presidente da República depois de ouvidos os Partidos representados na Assembleia da República, a qual por sua vez é constituída por Deputados eleitos por círculos eleitorais, assim como o Presidente da República é eleito pelos cidadãos nacionais, por sufrágio universal, directo e secreto.
José Sócrates foi o responsável máximo duma equipa que governou (ou desgovernou) Portugal no período que decorreu entre Março de 2005 e Junho de 2011. Naturalmente que, no uso das suas competências, elaborou decretos-leis, planos e orçamentos, estes últimos aprovados na Assembleia da República e promulgados pelo Presidente da República.
Seguindo o meu raciocínio constata-se que em Portugal o "regime democrático"  funciona segundo as regras constitucionais e que os três órgãos de soberania são co-responsáveis pela condução e rumo que o País segue, o qual, nos últimos anos, levou ao estado em que hoje se encontra. 
Sendo assim, o que não oferece dúvidas a ninguém de boa fé, a questão que coloco é a seguinte:
Será José Sócrates o único e exclusivo responsável pela "intitulada gestão danosa"? E os outros órgãos de soberania, que sucessivamente davam o seu aval à governação (ou desgovernação) do País, não foram também "solidários" com a aprovação e promulgação das leis? E os Gestores Públicos, os Dirigentes dos Institutos Públicos, os Presidentes das Regiões Autónomas e das Câmaras Municipais não foram também, em grande parte, responsáveis pelo alto endividamento a que Portugal chegou?
Não, não "morro, nem nunca morri, de amores por Sócrates". Mas, neste particular, ele não poderá ser o único "culpado da miséria e da calamidade", a que o País chegou. Muitos, mesmo bastantes, se alimentaram do pecúlio que lhes foi posto à disposição. Para provar o que escrevo bastaria, apenas, analisar todos aqueles que, nos últimos vinte e cinco anos, exerceram cargos gerindo dinheiros públicos,  comparando o que tinham, quando iniciaram a sua actividade, com aquilo que possuíam posteriormente. Por mim estou à vontade: durante doze anos, no exercício das minhas funções profissionais, fui co-responsável por mais de duzentos e cinquenta milhões de euros e... "nem um cêntimo se colou aos meus dedos". 
Por isso, discordo que se queira, apenas, responsabilizar José Sócrates por tudo o que de negativo aconteceu. Cadé os outros?  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O CATROGA DOS "PINTELHOS"

Lembram-se da entrevista do Sr. Catroga à SIC, em Maio do ano passado? Claro que sim, essa mesmo em que o Sr. Eduardo se atirou aos jornalistas afirmando que eles (os jornalistas, claro) andavam a discutir "pintelhos" em vez de assuntos sérios, com interesse para o País.


Pois o sr. Eduardo Catroga dos "pintelhos" acaba de ser nomeado para  a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, auferindo, mensalmente, um salário de 45 mil "pintelhos", perdão euros. 
A minha sugestão é a seguinte: não será possível pagar em "pentelhos" para não ofender, moralmente, a maioria dos Portugueses que viram o aumento do consumo de energia eléctrica em mais de 4%, para pagar ordenados chorudos a estes "pintelhudos"? 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

OS PACÓVIOS


Quando, no final do século XX a Indonésia se apoderou de Timor-Leste, publiquei, no Semanário Fonte Nova, um texto através do qual me insurgi contra o facto da agressão sobre a maioria da população timorense, indefesa e isolada do resto do mundo, ter acontecido. Nessa altura, dois factos me levaram a ponderar quanto hipócrita e oportunista é a natureza humana:
Por um lado, o Papa vigente então, conhecedor dos acontecimentos vividos pelos Timorenses, não se inibiu de visitar a Indonésia, somente a Nação Muçulmana mais populosa do Mundo e... nem uma palavra teve contra essa agressão. Foram poucas as vozes que se manifestaram contra essa atitude. 
Nessa altura, tal como hoje, não deixou de ser curioso o repto que alguém lançou aos Portugueses para não adquirirem produtos oriundos daquele País Oriental. Mas não deixou de ser positivo que uma empresa Indonésia tivesse adquirido a então Finicisa, em Portalegre, garantindo os postos de trabalho de mais de 300 trabalhadores. Simultaneamente, muitos daqueles que condenavam a atitude dos Indonésios eram os mesmos que compravam, por exemplo, produtos da Adidas e da Nike manufacturados naquele território, e ao que se sabia, por mãos de milhares de trabalhadores infantis e explorados pelas multinacionais.
Hoje, tal como outrora, fiquei estupefacto com a tentativa de alguns "parolos", tentarem que os Portugueses deixassem de adquirir produtos no Pingo Doce, apenas, e só, pelo facto da empresa ter mudado para a Holanda a sede social da empresa por "ser o País que melhores garantias dá à iniciativa privada", cujas consequências, ao que parece, terão impacto "ZERO" nos cofres do Estado e... a manutenção de milhares de postos de trabalho.
Todavia, não deixa de ser estranho que, até ao momento, "os puristas" não tivessem surgido com qualquer movimento para punir todos aqueles que, ao longo da última década, levaram o País ao estado em que hoje se encontra e que, apesar da mais do que justificada "gestão danosa" continuem, nalguns casos, longe do País, e noutros, por aí "assobiando para o ar", agitando as suas penas de "galo no poleiro" e, mais grave do que tudo, atribuindo epítetos de "parvos" aos que, enquanto gestores de dinheiros públicos, tiveram a hombridade de não se aproveitarem deles. 
Que falsidade tão grande a que nos rodeia.

sábado, 31 de dezembro de 2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TOM & JERRY -1946

Imperdível, principalmente por todos aqueles que viveram a infância e a adolescência sem a TV. 
Tom & Jerry - Franz Liszt Concerto, foi galardoado com um Óscar em 1946 e permitir-nos-á despedir deste 2011 com alguma animação, algo que o que vem a seguir não nos irá trazer. Um Ano Novo com saúde para todos os meus Amigos e também para aqueles que o não são...ou deixaram de o ser.



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O RAUL DEIXOU-NOS HÁ UM MÊS

Amigo Raul,
Um mês passou sem estares entre nós, os vivos, "mortos" de saudades tuas. Todavia, o teu acervo de obras literárias são uma luz permanente para todos aqueles que de ti gostaram...e que continuam a gostar. Por isso, e nesta época de Festa - mas também de cinismo e hipocrisia - quero relembrar-te, uma vez mais, com amizade e recordação dos belos momentos que vivemos durante a nossa adolescência, através dum poema da tua autoria:

Às vezes é nos silêncios mais medonhos,
Que encontro na luz crua do olhar,
A imensidão perdida dos meus sonhos,
Nos contornos nús e rudes do lugar.

E um grito de infinito em vulcão,
Rebenta em mim como lava de luar,
O verso em flor na minha mão,
Até tocar-me a alma a soluçar.

Que linda a Vida! Adeus, Adeus...
Deixo-vos estes versos que são meus,
E louvo a Deus na eternidade.

Kyrie Eleison! Toquem os céus,

Meus versos brandos como véus,
E doces como lágrimas de saudade.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Raul Cóias Dias - UM SORRISO DE DEUS


Descobri, no dia 14 de Fevereiro do corrente ano, que o Raul tinha um Blogue. Coisa estranha para quem não tinha empatia com as novas tecnologias. Li alguns textos ali publicados, não tantos como seria de esperar. O que a seguir publico, mereceu na altura o meu comentário, ali deixado:

Afortunados os que têm o privilégio de ler os teus escritos com o toque de poesia que sempre foi possível ler na tua prosa. Este, que acabo de ler, escrito não sei quando, é, seguramente, o exteriorizar do sentimento com que vês, como aliás sempre viste, a realidade que te (nos) envolve, muitas vezes ignorada.
Um abraço deste teu eterno Amigo.


Um sorriso de Deus
Foram-se as tardes douradas transparentes de azul leve, cheirando a fruta madura. As tardes de sol pálido espreitando por nuvens baixas, com crepúsculos arroxeados e passos de folhas mortas sussurrando pelos recantos entre rabanadas de vento.
Algumas árvores, ali no largo da feira, exibiam já solitárias, toda a nudez descarnada dos seus ramos desvairados.
À saída da cidade, antes da ponte dos mouros, havia uma álea cerrada que alastrava como um incêndio.
O chão do largo da igreja era um tapete castanho. Dos plátanos de copas em chamas, desprendiam-se folhas secas, iam tombando uma a uma, tontas de melancolia, em círculos como gaivotas, deslizando devagar, num torvelinho trémulo, como lágrimas comovidas. O jardim, com a relva dos canteiros salpicada de amarelo, parecia dormitar numa tristeza monótona que só o repuxo quebrava.
E o Outono foi agonizando lentamente. Grave e triste como um requiem. No ar, deixou aquela impressão doce e funda de nostalgia magoada, de último adeus entre ruínas, de adágio quase pungente, de violoncelo de fogo, num suspiro desesperado. Como se a natureza, varada de espanto e solidão, suspensa, nula e atónita, expirasse enfim de vez e o homem não fosse mais do que a sombra de um fantasma à deriva sobre a terra.
Mas por um sorriso divino, cujo esplendor só o hábito nos impede de ver claro, em qualquer canto remoto deste desértico abandono, germinava a seiva da vida, fermentava nos ramos nus, rebentava a terra lavrada e a natureza em silêncio ia retemperando as forças.
E era assim todos os anos, desde o princípio dos tempos, desde que do caos se fez luz, luz viva como um mistério, suave como um milagre, de que o homem é apenas uma minúscula centelha, uma frágil faiúncula, um reflexo fugaz.
Dezembro apareceu chuvoso e baço. O Inverno aproximava-se sobre as cinzas da paisagem agora naufragada em névoa. Os ramos dos choupos, esguios, do outro lado do rio, recortavam-se a traços negros, agrestes, nas colinas esvaídas. Os contornos dos telhados esfumados num céu de chumbo. A água escorrendo pelas fachadas das casas. As últimas folhas avermelhadas colavam-se ao asfalto molhado das ruas. A cidade fustigada por uma morrinha teimosa ininterrupta e miúda cobriu-se de nuvens negras boiando ao sabor do vento que desgrenhava os quintais.
Depois o tempo limpou. Apareceram tímidas as primeiras abertas, derramando uma luz mortiça sobre os laranjais de prata, curvados ao peso dos frutos. E vieram dias de sol. Anoitecia mais cedo. O Natal estava à porta. As árvores do largo da igreja foram enfeitadas com um rosário de lâmpadas ou de estrelas, suavemente suspenso nos seus ramos quase despidos.
As montras iluminadas das casas comerciais atafulharam-se de brinquedos, entre cânticos ternurentos e um repicar longínquo de sinos.
Veio o Natal dos Hospitais, transmitido pela TV. Realizaram-se as festas. Tiveram lugar os convívios. E com uma sensação de paz branda escorrendo mansamente sobre a indiferença metálica dos gestos habituais, sem quase darmos por isso, era a véspera de natal. Na Rua Vaz Monteiro e na Avenida da Liberdade, o trânsito automóvel tornou-se quase febril. Famílias que vinham de longe e atravessavam a cidade a caminho das suas terras de origem. As pessoas corriam de uma montra para a outra, de caixinhas' debaixo dos braços, entrando e saindo das lojas, mexendo e remexendo em tudo o que estava à mão, espreitando os preços, espiolhando prateleiras envidraçadas à procura das últimas compras, assistindo impacientes à confecção dos embrulhos.
Depois o ambiente de euforia quase contagiante foi-se transformado aos poucos numa e espécie de despedida. A multidão ia-se dispersando. «Boas Festas» «Feliz Natal» e cada um esgueirava-se de passo rápido a caminho de casa. Calou-se o ruído do trânsito. E a noite foi descendo como um manto de veludo, sobre a cidade recolhida. Só o latido de um cão rasgando o silêncio lá fora.
À volta da mesa, a família ficou em vigília ardente.
Uma grande paz interior. Na calma profunda da noite, o retinir dos talheres, as conversas quase em surdina. E por um momento breve, a consciência plena de uma simplicidade perdida, revela-nos brandamente todo o sentido das coisas.
Um sopro inefável de Vida cintila na soturnidade outoniça da nossa dimensão humana.
Sinais do quotidiano. O pão, o lume e a dança dos nossos gestos, a ternura e os afectos, o voo casto das palavras, a alegria das crianças, fragmentos cintilantes da realidade envolvente. Tudo ganha transparência. E o segredo da Verdade, parece tão perto e nítido, tão cristalino e claro que chega quase a sentir-se como um perfume de um cântico no silêncio do coração. Como um halo de transcendência ou um sorriso de Deus.
Sabemos então que é Natal.
(RAUL CÓIAS DIAS)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

REVELAÇÃO - POEMA DO RAUL CÓIAS DIAS


Caro Amigo Raul,
Partiste há dias, uma vez mais, sem dizeres ao amigo quando voltavas. Só o futuro me dirá quanto é o tempo que, novamente, estarei sem falar contigo. Saudades, tantas, de te ouvir. Um dia, sabe-se lá quando, irei ao teu encontro e aí, então, te direi que não foste esquecido e que a tua obra prosaico-poética foi divulgada e lida por muitos, até por aqueles que te ignoraram, ou melhor, não te entenderam.
Um abraço do Amigo,
Manuel Morujo 

REVELAÇÃO
Curvo-me sobre mim e comovido,
Registo o pensamento no papel,
E as palavras revelam-me o sentido,
Do meu destino, doces como mel.

Tudo quanto aqui tenho vivido
Sonhos, alegrias, lágrimas de fel,
Não passa de um milagre repetido,
Sem que Quem o fez, se me revele.

Mas descubro estas pequenas maravilhas,
Versos de uma ternura branda e singular,
Como o sabor dos beijos das minhas filhas,
Ou da suave mansidão das ilhas,
Em noites, de muito amor e de luar.
E vejo então que és tu, Senhor, e brilhas!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MANIFESTO NORTE ALENTEJANO


Por falta de um cravo, perde-se a ferradura;
Por falta de uma ferradura, perde-se o cavalo;
Por falta de um cavalo, perde-se o cavaleiro;
Por falta de um cavaleiro, perde-se a batalha;
Por falta de uma vitória, perde-se o reino e, tudo isto,
Por causa de um simples cravo.
(Benjamim Franklin - 1706/1790)

Caro concidadão:
O Norte Alentejano está situado numa zona de transição do Território Nacional. A sua população é caracterizada por uma mescla de costumes, usos e tradições influenciada pelo facto de estar implementada numa área geográfica delimitada a Norte com a Beira – Baixa, a Sul com a Planície Alentejana, a Oeste com o Ribatejo e a Leste com a Espanha. São razões sociológicas que, ao longo dos anos, não temos sabido ultrapassar e que, de uma maneira ou outra, contribuíram para que nunca fossemos suficientemente unidos em torno do essencial: a Identificação do Norte Alentejano.
Todavia, o trabalho tenaz vence todas as dificuldades e, pessoalmente, continuo a acreditar que é possível aproximarmo-nos com uma entrega total, sincera, solidária e participativa, apesar de desde há alguns anos, juntamente com outros amigos, também sensibilizados para esta temática, ter tentado, infrutiferamente, aproximar a Diáspora Norte Alentejana daqueles que por cá continuam.
Ao longo dos anos nasceram, cresceram, estudaram, trabalharam e passaram pelo Norte Alentejano inúmeros cidadãos, alguns dos quais alcançaram lugares de relevo e que, de algum modo, poderão contribuir para a promoção e desenvolvimento do Norte Alentejano. Muitos encontram-se afastados devido a vários factores que a própria vida a isso levou, na procura de melhores condições, o que, só por si, não justifica o eventual distanciamento e alheamento. Contudo, muitos acabaram por ficar por aqui. Mas todos juntos, temos de olhar o futuro e conjugar esforços em torno do essencial: ANULAR A TENDÊNCIA DE DESERTIFICAÇÃO E APOIAR O DESENVOLVIMENTO DO NORTE ALENTEJANO.
     São diversas as razões que têm contribuído para que a população residente Norte Alentejana tenha diminuído. Nos últimos quarenta anos, a população decresceu de cento e oitenta mil habitantes, para os actuais cento e vinte mil. Nos últimos vinte anos, Portugal teve sete Governos. Todos eles prometeram diminuir as assimetrias entre o litoral e o interior. Os resultados estão à vista: os empregos escasseiam; os efeitos da interioridade manifestam-se, cada vez mais; o isolamento de alguns Concelhos intensificou-se desde a existência das grandes vias rodoviárias a passarem quer a Norte, quer a Sul, a mais de cinquenta quilómetros e a massa crítica, principalmente a mais jovem que após a sua formação académica no Norte Alentejano se desloca para outros lugares, diminui a capacidade empreendedora. E, sendo assim, o futuro é preocupante. E sê-lo-á, ainda mais, a partir do momento em que encerrarem e deslocarem serviços públicos para outros destinos.
Sem dificuldades, o que se constata, nomeadamente desde a entrada de Portugal na União Europeia, é que os investimentos que podiam fixar populações, têm sido efectuados, em grande escala, noutras paragens. Para isso ter acontecido, não tenho ilusões de que muito têm contribuído as vozes que se fazem ouvir junto dos “Corredores do Poder”. E estas, por parte dos Norte Alentejanos, são muito pouco notadas. Veja-se, como exemplo, a nossa representatividade Parlamentar, que passou de quatro Deputados em 1975, para os actuais apenas dois. Temos “pouco peso eleitoral” como alguém, com responsabilidades, há anos afirmou. Dizem-nos, com frequência que no Norte Alentejano não há investimentos, porque não há população. Que forma airosa de nos deixarem por aqui continuar entregues à nossa sorte e à perspicácia deste ou daquele autarca, mais dinâmico, ou empresário mais dedicado!
     Mas o fatalismo é inimigo do desenvolvimento. Por isso, é tempo de reagir, de procurarmos todos os meios que possam contribuir para valorizar e desenvolver o Norte Alentejano, dentro de padrões idênticos àqueles que outras áreas do País conseguiram atingir e de unir todos os Norte Alentejanos, naturais ou que aqui se fixaram, à volta dos mesmos objectivos, duma forma organizada e solidária, fazendo ouvir a sua voz autorizada e com autoridade, que centralize todas as tendências sociais, culturais, educacionais, religiosas, económicas e políticas numa atitude isenta de partidarismos, que seja representativa de toda a comunidade Norte Alentejana e que, acima de tudo, seja mais respeitada por todos os sectores da vida portuguesa, principalmente, por aqueles que governam o País.
Meras palavras levam-nas o vento. E as ventanias, por estas bandas, são geralmente fortes. Por isso, urge dar corpo a estas intenções, nomeadamente, através da:
     1º - Criação da ASSOCIAÇÃO DE CIDADÃOS DO NORTE ALENTEJANO (ACNA)
O ante-projecto dos estatutos está elaborado e, para o dar a conhecer, vou convidar cidadãos Norte Alentejanos residentes e da Diáspora – assim como outros que se sentem identificados connosco – para levarmos a cabo, no mais curto espaço de tempo, a realização de um Fórum.
     2º - Criação duma BASE DE DADOS
Está já constituída por cerca de três centenas de Norte Alentejanos e é importante que sejam indicados mais nomes com profissões, moradas, contactos telefónicos e caixas de correio de outros.
     3º - Criação dum SITE NA INTERNET
     4º - Publicação, com alguma periodicidade, de um BOLETIM ou FOLHA
INFORMATIVA. O objectivo é o de divulgar e promover as potencialidades do Norte Alentejano, em todas as suas vertentes, assim como manter um elo de ligação entre todos.
5º - Realização dum CONGRESSO do NORTE ALENTEJANO.
Na expectativa de que este manifesto seja bem recebido, cordialmente apresento os meus cumprimentos,

  Manuel Alberto Carvalho Morujo
NORTE ALENTEJO, 12 de Maio de 2006